Pavillion

Há muito procurava um cineclube qualquer onde pudesse assistir a um filme iraniano aqui em Dubai. Soube de um espaço cultural aqui pertinho de casa e resolvi fuçar.

Nunca achei que sentiria saudades daqueles culturetes horrorosos da região da Paulista. Não tinha nenhum menino magrelo com camiseta puída do Che. Não havia sinal de meninas com saias indianas e bolsas de pano. Não havia nenhuma exposição que prestasse (apenas uma coleção de fotos com light leak e entrevistas pretenciosas com artistas locais). Sempre fui a pessoa mais bonitinha e arrumadinha no Espaço Cultural Unibanco. Hoje, estava maloqueiríssima entre as fashionistas que frequentavam o local.

Uma loira platinada teclava freneticamente em seu MacBook Pro com uma sacola do Jimmy Choo aos seus pés. Todos ali teclavam em Macs. Pareciam tão ocupados no meio de taaanta cultura e roupas caríssimas e impecáveis.

Então me deu uma vontade de bater o garfo na minha garrafa de San Pellegrino e perguntar onde cazzo estava a revolução. Eu e minha amiga Juju saímos decepcionadíssimas. Espaço cultural faço eu no meu sofá com meu sushi e algum livro/filme.

É gente milionária, que vontade de chorar.

Para quem quiser experimentar, é aqui.

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tenso

Cá estou organizando minhas fotos em pastas (e meus textos que rabisquei no Ipad) para publicar (um dia) por aqui e vejam só o detalhe dessa foto que bati em Kathmandu:

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Preciso passar no oculista djá.

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Riconcito Peruano

Em uma linda manhã de quarta-feira uma das minhas lombrigas (a Qué Qué) acordou peruana e exigiu que a mamãe cozinhasse ají de gallina (podem seguir esse link, a receita é excelente). Estava em Dubai sem pasta de ají amarillo, sem amigo peruano para contrabandear temperos e sem nenhum supermercadinho latino para me abastecer. Mas tinha um vôo para a Tailândia e, como estava obstinada, me dei essa incrível missão de cozinhar um ají de galinha tal qual o que comi em Lima.

Missão dada é missão cumprida. Comprei alguns pacotes de pimenta amarela beeem picante no supermercadinho em frente ao hotel em Bangkok, enfiei uns tetrapack de água de coco na mala e, já em Dubai, encostei o umbigo no fogão. Como a picância (nossa, essa palavra existe ou acabei de inventar?) da tailandesa era bem f%^&$, fiz a pasta de ají amarillo usando pimentão amarelo para dar uma amenizada.

(senti a ardência da pimenta quando, depois de preparar a pasta, assoei o nariz e toquei em minhas narinas com os dedos cheios de pimenta. A Juju testemunhou minha agonia por longos minutos enquanto eu chorava e enfiava o nariz no iogurte e no Creme Nivea)

Comemos ajoelhados rezando para Wendy Sulca, Tigresa del Oriente e Delfin Quishpe. Ficou igualzinho aos originais que comi em Lima! Meus convidados lamberam os pratos e o que sobrou foi requentado até acabar. Para quem não tinha pasta de ají amarillo e foi buscar pimenta tailandesa… Na Tailândia… Por favor, mereço muitos aplausos.

Mas não era sobre meus dotes culinários que eu pretendia escrever. Era sobre outro ají de galinha. Que comi na cracolândia, aqui em São Paulo.

Quando desembarquei em São Paulo minha mãe me avisou já dentro do carro que teríamos que experimentar um peruano novo na cidade – descoberta do nosso amigo Deco. Gordinha safada que sou já comecei a pensar ali o que iria comer. Aji de galhinha e chicha morada, é claro. Coisas que o Killa sempre me deixou a desejar.

O restaurante Riconcito Peruano está na Rua Aurora. Na cracolândia. Sei que a cracolândia foi desativada e blablabla whiskas sachet. O fato é que na frente do restaurante havia dois nóias muito malucos procurando pedras no chão. E de noite… Meu Deus, alguém tem coragem de ir ali durante a noite??? Eu não. Gangs de nigerianos na boca do lixo não são os elementos que eu gostaria de ter ao meu redor durante um jantar. E olha que eu como em podrões pelo mundo que nem meu amigo peruano acredita.

Não há placas indicando a entrada do restaurante. Soube que estava no lugar certo graças ao Deco. Uma escadinha vermelha nos levou até o local. Os degraus pareciam nos conduzir a um motelzinho de 30 reais. Mas a verdade é que o ambiente do restaurante é bem agradável: famílias dividem mesas cobertas com toalhas de plástico, assistem TV peruana, dividem jarras de chicha morada e os garçons são muito simpáticos. Tudo é muito simples. É como se estivesse almoçando em um dia de semana em qualquer restaurante no centro limeño.

Pedimos o menu executivo da terça-feira. Sim, finalmente estaria ali com um ají de galinha true no meu prato.

Minha expectativa? Amarelinho, quentinho, cheio de papas (batatas) num molho cremoso com frango desfiado todinho para mim.

A realidade? Parecia um estrogonofe amarelo. Tive que prestar muita atenção para sentir lá longe o sabor característico da pasta de ají original.

Mas meu amigo Deco e minha mãe estavam felizes. O forte ali é o lomo saltado e os ceviches. E o melhor de toda essa história: o preço.

Voltarei? Sim, sim, sim! Adorei o ambiente, adorei dialogar em portuñol com os garçons, adorei os programas da TV aberta peruana na TV do restaurante, adorei a chicha morada. Melhor ainda: adorei o preço.

(jamais voltarei ao La Mar. Ceviche sem batata doce e milho? Peixe branco marinado faço em casa by myself, mermão. Cevichinho sem vergonha + uma cerveja = 100 dilmas!)

Riconcito Peruano

Rua Aurora, 451 – Centro.

Tel.: 3361-2400.

trilha sonora do post, oficorsi:

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05/26/2012 · 16:35

ô coisinha tão horrorosinha do pai

Que o custo de vida no Brasil é alto não adianta nem discutir. Passar uma temporada em São Paulo é quase tão caro quanto férias em Luanda (onde um lanche do McDonalds custa fácil mais do que 18 dólares estadunidenses). Mas cobrar R$ 797,00 numa SACOLA DE LONA, Osklen, pulfavô!

Toda vez que entro nessa loja sei que vou gastar um milhão de dólares em uma camiseta. Mas aceito esse fato porque meu namorado merece um agradinho e a média de 200 Dilmas não vai matar meu orçamento – porque acho bonitinho ver um indiano vestindo “United Kingdom of Ipanema” e ficar todo pimpão com a namorada latina.

Aí vi uma sacola de lona super legaaaal pra passar um dia na praia e fazer a gatinha-brasileira-descolada-patriota-babaca. Pensei em pedir de aniversário pra minha mãe. Mas seria mais fácil botar uma arma na cabeça dela e pedir tudo o que ela tem na carteira do que pedir isso.

Mais absurdo do que cobrar todas essas verdades numa sacola de lona é cobrar milão nisso. Não vi bolsa tão feia como essa nem na feirinha de maconheiros europeus em Bangkok. Arte no durepox, essas merdas todas, tie dye, piolhos e chinelão de couro.

Como já diria o Mallandro (grande Sérgio): ié ié.

(mas esse tricô tá lindão. Parcela em 24 vezes? kkkkkk)

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Eu voltei.

Desculpem-me pela ausência e pelo título tosco desse post. Inspirei-me em um açougue no centro de São Paulo. O nome é “Casa de Carnes Eu Voltei LTDA”. Juro que esse lugar existe e sempre dava uma risadinha marota quando o trolebus passava pela Rua Coronel Xavier de Toledo número 93. Sempre imaginava um pedaço de patinho mugindo dentro da panela de pressão. A panela explode e o pedaço de carne devora a família inteira. Ele não queria virar carne louca e o final do episódio era bem gore, cheio de tripas e terror.

[imprima esse post e ganhe 30% de desconto no quilo do acém]

[é mentira, tá?]

Por onde andava a libanesa? Muito ocupada. Difícil explicar meu talento: ocupar-me tanto em fazer porra nenhuma. Mas essa é a verdade. Porque nesses meses que aí correram não estudei espanhol ou fiz algo grandioso como um trabalho voluntário para salvar as borboletas órfãs do Saara do Sul. Fiz coisas menores mas de maior importância em meu mundinho particular tão egoísta e fanfarrão.

Cito-as, pois:

Fui ao Nepal. Tirei minha carteira de motorista em Dubai. Comprei um carro e endividei meus netos. Tive ataques histéricos toda vez que a minha escala era publicada e enchi o pacová dos meus amigos recitando a coleção de vôos para Ásia que ganhava a cada mês (e como estava infinitamente feliz com tudo isso). Nunca estive tanto em Kuala Lumpur, em Hong Kong, em Bangkok. Mais feliz que pinto no lixo e gordo em rodízio de pizza. Estive no Brasil, também. Passei férias em Santos porque sou uma paulistana fanática – e de quebra ainda passei o centenário do Santos F.C. no Canal 1. Maldivas e Phuket é para fracos. Voltei a frequentar a academia. Emagreci quatro quilos. Tomei um totó amoroso bizarro. Arranjei um namorado muito melhor porque life is a bitch but I’m way bitchier. Minha foto foi impressa em um informativo da empresa e me senti a Luiza Brunet (é, eu sou babaca e orgulhosa disso). Finalmente assisti ao filme do Pelé (Lina Chamie, te amo, beijos). Assisti a peça do Ricardo Rathsam e Marcelo Medici. Não, ainda não tomei coragem de fazer a super chuca em Bangkok. Finalmente aprendi a dar hadouken com facilidade e não tem quem me vença no Street Fighter, sou a melhor do mundo. Também ando chutando glúteos no Mortal Kombat. Arrumei o meu armário de calcinhas e fiz uma limpeza incrível na minha casa. Tomei coragem para fazer um Tom Kha Gai em casa que é de comer ajoelhado – e agora é um dos meus signature dishes. Também notei que tenho muita dificuldade para escrever em português. O que não significa que meu inglês esteja de dar inveja a Shakespeare. Uma das merdas em ser expatriado em um país que não é Portugal, Angola ou Moçambique.

Também tenho pautas incríveis na minha cabeça que postarei aqui. Um dia. Porque ando voando mais que bala perdida em morro do Rio de Janeiro. E tenho uma lista de coisas incríveis para comer nos próximos dias. Andei twittando a respeito.

Isso é tudo o que tenho feito durante esses meses e minha pilha de livros permanece intocada ao lado da cama, cada vez mais alta. Mas tenham fé e não me abandonem, por favor. A libanesa não vai abandonar esse blog e só precisa de um par de dias para sentar e editar o que tem escrito durante suas viagens. Acho o wordpress um saco e fazer upload de foto em outro servidor é tão divertido como um ataque de oxiúros.

O que importa é que agora é verão em Dubai. Não dá mais pra sair do ar condicionado – o que me condicionará a uma vida indoor pelos próximos meses.

Afinal…

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como reconhecer uma comissária de bordo

Pra variar estou em Pequim. Acordei as três da tarde depois de quinze horas de sono pesado e ininterrupto. Tomei um banho rápido e desci para tomar um green tea latte no Starbucks (é apenas um matcha com leite vaporizado super hypado) e comprar uma coca zero para repor a que consumi do mini-bar do quarto.

Ao meu lado no balcão de espera da cafeteria “estadunidense” (adoro esse termo tão comunista, tão China, tão cadeirante Mao) estava uma mulher aparentemente ocidental (e aparentemente estadunidense), bonita e vestida como eu: sem combinar o sapato com a bolsa e todo o resto das roupas. Assumi em pensamento: deve ser comissária de bordo.

Explico, pois: O cabelo estava arrumado em um coque banana igual ao meu. Não é qualquer mulher que faz um coque assim tão perfeito em menos de um minuto – a cara de quem acabou de acordar no meio de uma tarde em um dia útil chinês me ajudaram a concluir isso.

Estava bem arrumada, acredito: uma calça jeans skinny, uma blusa de malha, uma jaquetinha. Sapatos confortáveis (o bom e velho flat, presente em 99% dos armários das comissárias) e uma bolsa grande de pano. Pediu um café decaf, afinal, como eu, precisaria dormir para operar um vôo longo mais tarde. O óculos grande dava o toque final.

Eu vestia com calça legging preta, vestido floral e cardigan. Um sapato preto flat, óculos grande estilo aviador, cabelo preso em coque e uma bolsa de pano amarelo que não combinava com peça alguma. Mas era o que tinha dentro da minha mala, com certeza algo que usei para complementar um look para dia quente em Seul.

O acaso contribuiu para que nos encontrássemos no elevador do hotel. Quase que lendo meus pensamentos ela finalmente perguntou em que linha aérea eu trabalhava.

E sim, ela era da Califórnia.

E não, nunca consigo combinar bolsas com roupas dentro de malas.

E o sem número de vezes que esqueci de colocar um sapato na mala e desfilei pela cidade com sapatinhos vermelhos que uso na cabine do avião?

(e dessa vez fiz uma lista de coisas que preciso colocar na mala antes de ir pra São Paulo. Pouso em Dubai, tiro o uniforme, coloco a roupa que está na mala, deixo o uniforme na lavanderia. Vou pra casa, tomo um banho rápido, enfio-me em roupas confortáveis sem deixar de parecer smart, fecho as malas e sigo correndo pro aeroporto. E 14 horas depois pouso em São Paulo!)

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Tóquio em lápis de cor.

Uma das minhas melhores compras em outubro foi esse livrinho/sketchbook delicioso, o ‘Tokyo on Foot‘. Coloquei aqui na mesa de centro da minha sala e meus amigos adoraram! Está recheado de memórias gráficas feitas de lápis de cor e mapas. Para viajar no sofá de casa com um copo de matcha + leite. :)

E no mesmo dia ainda arrematei um guia de viagem pra nerd, o ilustradíssimo ‘A Geek in Japan’. Pra variar, comprei em Toronto. Pra variar, perdi umas 4 horas lendo essas belezinhas e tomando café mijo-de-gato (argh, Starbucks, mas era o que tinha ali perto). A editora é de algum lugar no mundo e os livros são impressos em Cingapura e, mellldellls, me segura Berenice que eu quero comprar o site inteiro.

Não sei se dá pra comprar no Brasil. Mas dá pra comprar pelo site da Tuttle Publishing e, pá, livro não paga imposto. :) Logo, compre tudinho de uma vez no fim do ano pra pagar uma entrega só. Aliás, tô só vendo o catálogo e acho que vou mandar brasa!

 

 

 

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