Arquivo do mês: agosto 2008

bom dia, Peshawar… em 90 cm

Cheguei em Peshawar após 10 horas de vôo Nagoya – Dubai (onde tripulei), 2 horas para me arrumar e preparar a mala. Aí que o marido tem um chilique histérico escalafobético porque pedi para que ele me buscasse de carro no aeroporto de Islamabad (que fica, na verdade, em Rawalpindi). Aí descubro que o bonito não tem habilitação, huahuahua. Seria bem mais fácil dizer a verdade do que amar na mentira, mas não, ele preferiu criar climão dizendo que quando combinamos algo, não podemos mudar depois.

Depois de 3 horas de vôo Dubai – Islamabad (como passageira, pelo menos vim de executiva porque soy rica), uma correria em Rawalpindi para comprar um chip de celular ao lado do concunhado (e no final não deu certo, continuo sem celular no Paquistão, usando apenas a linha de Dubai), que insistia para que eu aceitasse um refresco.

Tipos… A Pakistan International Airlines, especialmente na business, é um tal de entrocha comida e bebida nos passageiros que pousei rolando. E never que tomaria mais um líquido ali. Pra que?

– Karina, toma essa limonada.
– Obrigada. Mas não posso aceitar. Não quero ter que fazer xixi na estrada.

– Faça aqui na rodoviária – disse o sabichão.

Eu fiz. Era indian toilet. Zente. Eu enrolei a dupatta no pescoço, tirei as calças (como não tinha onde pendurar, também enrolei no pescoço, me equilibrei nas cócoras e fiz xixi. A sorte é que sempre carrego lencinhos comigo e não passei o aperto de ter que me lavar com o baldinho (iiiirj, ca nooojo).

Voltei.

– A aí, Karina? Deixa-me adivinhar… Era o banheiro mais limpo do mundo né? – divertiu-se o gordzeenho.
– Ó. Tó que não tomo mais nenhum líquido porque não quero passar pelo mesmo aperto em Nowshera.

Começamos a rir. Porque, porra, a única parada do ônibus seria em Nowshera. Now-fucking-shera. Veja a foto e entenda a minha alegria plena se lá mijar eu tivesse que.

Então mais 2 horas e meia de bumba de Rawalpindi pra Peshawar e mais meia hora de viagem da rodoviária pra casa do marido (pelo menos ele me buscou na rodoviária). Tudo porque os vôos estavam lotados entre Dubai e Pesh.

Nem preciso falar que cheguei desmontada. Pior. Deitei na cama do marido e capotei de roupa e tudo, babei, falei dormindo (às vezes eu tenho dessas e a galera de diverte conversando comigo), enfim, acordei agora de manhã, só. Um calor da piaba. Chove no país inteiro, menos aqui.

Toda vez ouço um trovão, percebo que o barulho é longo demais para ser trovão. Explico: são caças. Porque o exército tá mandando ver nas áreas tribais.

Foda. Mas sabe o que é mais foda???

Abrir a caixa de e-mails e encontrar isso:

Porque sim, a vida é feita de pequenas alegrias. Micaguei.

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ainda ontem chorei de saudade

Porque vocês sabem: melhor sonhar na verdade do que amar na mentira.

http://www.youtube.com/v/obM9vb-qAnA&hl=en&fs=1

Dedico esse vídeo de Claide aos amigos queridos, Celso e Dri Spaca.

vídeo pescado no youtube por libanesa e Rod, em uma tarde de ócio em Dubai regada a coxinhas.

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Estou feliz!

Surrupiei da foto do blog da Carol, outra brasileira enrolada com paquistanês. A foto é da Eve, nossa amiga super luxo casadíssima da Silva Sauro com um paquistanento de Multan. Ela é linda e ele é super gato, Habizón.

Já sentiram felicidade por outras pessoas? Pois é, eu geralmente não sinto porque não tenho tempo e sou demasiada egoísta em meu mundinho. Mas, poxa, ando tão feliz por ela. Até parece que fui eu que casei.

A questã é que temos um grupo de amigas que são casadas ou namoram paquis. Já disse que tem comunidade de tudo no Orkut. Né? É. Lógico que grupo de mulher dá merda e logo enche de invejosas. Mas algumas são tão queridas…

Ah, Eve. Vou pegar teu ebó. Uhu. Tô indo pro Paquistão dia 30 de executiva da PIA, beijosmeliga. Vou te ligar.

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Vixi!

Dizem que julho, agosto e setembro são os três meses ruins para a aviação. Coincidência ou não, foram nesses meses que tivemos acidentes horríveis: Concorde da Air France, o terrível Airbus da TAM que saiu da pista em Congonhas, o recente MD-82 da Spanair, o 11 de setembro, enfim, pencas de acidentes horrorosos (e você pode encontrar um database completo aqui).

Ontem tivemos o Boeing 737 da Itek Air, que espatifou-se após uma decolagem seguida de um retorno ao aeroporto, devido a um prublema técnico ainda não especificado. A aeronave partiu de Bishkek, capital do Quirguistão, e seguia para Teerã. Tinha 90 pessoas a bordo e, até agora, 68 mortes confirmadas.

A Itek Air é uma companhia aérea quirguiz. Uma das muitas companhias aéreas que são proibidas de voar para a União Européia. E não, isso não é paranóia de europeu. Isso significa que as tais companhias não obedecem a padrões técnicos necessários estabelecidos nas normas de segurança internacionais aplicáveis. Isso significa que você, leitor amigo, não gostaria de voar em uma delas.

A lista pode ser encontrada no site da Comissão Européia, em português. A maioria das empresas pertencem a República Democrática do Congo e a outros países africanos que não são destinos turísticos favoritos da maioria dos brasileiros. Mesmo assim, é bom que você veja essa lista, afinal, tive algumas surpresas (como a TAAG, empresa angolana que liga o Rio de Janeiro a Luanda; Ariana Afghan Airlines, que está proibida mas, de acordo com o site da empresa, voa para Frankfurt; uma coleção de empresas ucranianas e indonésias).

Logo, se você planeja viagens com destino a algum desses países, tenha em mente quais companhias aéreas possam ser uma bela de uma uruca. Isso vale para os que planejam uma viagem dos sonhos na Indonésia, afinal, a lista é extensa por lá – nem a Garuda Indonésia escapou.

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Bichim miserável.

Tô aqui assistindo a um documentário sobre o rola-bosta no National Geographic. Tadinho. Além de ter essa alcunha ainda é meio cegueta e tem um olfato super apurado – o que não classifico como qualidade quando você nasce para, oras bolas, rolar bosta.

O bichinho – coleóptero e coprófago da família dos escarabeídeos – nasce, cresce, se reproduz e morre. E, in between, vive a fazer bolotas de cocô quase do seu tamanho, o que deve ser pesado bacarai. Tipo carreteiro escatológico.

Por ser meio Mr. Magoo volta e meia despenca ribanceira abaixo com seu rolão de totô e toooca recomeçar. Que merda, né. Literalmente.

O que me faz pensar: ir a Pequim e não assistir as Olimpíadas nem é tão ruim. Tem bicho aí no mundo rolando bosta pra viver. Pior, tem gente, na Índia, que faz trabalho de rola-bosta para sobreviver em condições miseráveis.

E aí você me pergunta: Se gosta tanto das Olimpíadas, porque está assistindo a um documentário sobre rola-bostas ao invés dos jogos na TV, ao menos?

Veja o post abaixo, pois.

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Mágoa pequinesa.

Estou em Pequim. Gripadíssima. Logo, adivinhem, nem pisei na Vila Olímpica. Ontem fui a uma casa de chás que apresenta o ritual do chá e outros espetáculos. Achei uma merda. Mas comentarei num post próximo, afinal, preciso das fotos e esqueci o cabo USB da câmera.

Duh!

Mas preciso parar de me culpar por não fazer coisas que não gosto mas faço porque é hype. Tipo… Não gosto de esportes, não páro para assistir Olimpíadas (Copa do Mundo são outros five hundreds, nesse evento eu coleciono até figurinha), até gostaria de ter visto o Estádio Nacional e o Cubo D’Água. Estou triste porque perdi um pouco da vibe. Mas, afinal, estou doente, a umidade desse verão chinês é tão violenta como o quente e seco verão emirati.

Nesse ponto pensei em dormir o dia todo para me recuperar para as próximas sete horas de vôo cheio. Não quero voltar como extra, preciso do dinheiro e da promoção.

E, porra, não é a Semana da Ópera de Pequim ou a Semana do Tubarão do Discovery Channel. Aí sim estaria realmente cortando os pulsos.

Ok, estou aqui tentando convencer a moi même que isso não é o fim do mundo. Tá foda. Pelo menos caminhei pela Qian An Men Square de noite. Acho a Praça da Paz Celestial algo incrível, me dá calafrios, especialmente ao anoitecer com todas aquelas lanternas chinesas e lampadinhas acesas.

Passou, Karina, fodeu. Já era. Na próxima, para não perder a viagem, não caia no conto de recomendações alheias para ver espetáculo de turista e vá a Ópera de Pequim de verdadinha. Mas, já disse, assunto para o próximo post.

Afinal, já fui a Roma e não vi o Papa. Minha mãe, quando na mesma cidade eterna, passou de ônibus de turista do lado do Coliseu, olhou para o outro lado e não viu (huahuahua, é super verdade). Fui a Jacarta e não saí do hotel. Em Nova York, não saia das lojas com a minha mãe. Fui a Pequim nas Olimpíadas e não vi picas. 🙂 Oras!

Mas fui a bosta do Lao She Teahouse e já já eu conto do programão de cacique que todo mundo faz em Pequim.

P.S.: Não é hipocrisia. As Olimpíadas estão bombando na TV e eu, aqui, vendo National Geographic channel. Logo, preciso parar com essa auto-chochação.

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Homesick: Santos

Adorei o ensaio do UOL Viagem mostrando um pouquinho de Santos além do porto. Lógico que você vai me chochar porque eu adoro Santos, afinal, antes de ser brasileira, sou paulistana.

Não estou falando de praia, tampouco de farofa. Estou falando da cidade, da bolsa do café, do orquidário, do sorvete no final da tarde na Royal, do aquário, do mercado de peixe da Ponta da Praia, da Ponta da Praia, da Vila Belmiro, de José Menino.

Já vi muita praia maravilhosa no mundo: Grécia, Turquia, Indonésia, até mesmo as praias dos Emirados com a indianada na água verde tão transparente.

Nenhuma delas tem a bolsa do café, o orquidário, o sorvete no final da tarde na Royal, o aquário, o mercado de peixe da Ponta da Praia, a Ponta da Praia, Vila Belmiro e José Menino.

P.S: Para provar que não estou bullshitting, troquei meus 8 dias de férias em qualquer lugar do mundo com a minha mãe para passar 8 dias entre Sampa, Santos e Paraty com a mesmíssima (e meus amigos, lógico). Quanto mais viajo por esse mundo, mais percebo que não há, no mundo, uma outra São Paulo, outra Santos, outra Paraty e outro Rio de Janeiro.

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