Malaysia Boleh! (e a tal reserva…)

Estou no meu mês de reserva. Por um lado amargo em casa sem saber se vou viajar ou se posso voltar a dormir. Nem cocô dá pra fazer direito porque, vocês conhecem a máxima: Para que o telefone toque, basta ir ao banheiro.

O lado bom é que você não sabe para onde viajará. Logo, terá uma surpresa agradável (ou não) quando o telefone tocar e te mandarem para Kuala Lumpur (ou Beirute, a parte desagradável da surpresa – porque não saímos do avião e putaquepareeeo que vôo difícil). Isso se você estiver na reserva em casa (que gosto menos porque pode durar até 12 horas e dá uma preguiiiça).

Se estiver na reserva no aeroporto, o tempo de agonia é bem menor. O lado ruim é aguardar de uniforme, cabelo e maquiagem impecáveis. Mas, sei lá, fico mais preparada psicologicamente para voar uma vez que estou lá. Embora meu coração pare cada vez em que o funcionário receba um telefonema para selecionar algum tripulante e lhe dar uma sentença, confesso que prefiro esse tipo de tortura.

Pois lá estava eu matraqueando com um libanês, um eslovaco e uma australiana quando chamaram por uma “Ana”. Mas o número da identidade não coincidia. Mesmo assim, meu coração parou de bater por alguns segundos até que eu confirmasse que eu não seria a “felizarda” em um vôo para Joanesburgo com estadia de 48 horas.

A tortura piorou quando o funcionário chamou por “Sharina” e entendi “Karina”, lógico. O castigo? Lagos, na Nigéria. Tipos, o PIOR. Só não me caguei porque não tinha “feze” pronta. Mas a australiana me tranquilizou: “Seu nome é Ana Karina, não é Sharina!”. Huahua, obrigada, Chezz!

Continuamos gargalhando, bebendo café e comendo biscoitinhos digestivos no louge quando, finalmente, ouvi “Ana Karina” seguido da minha extensa coleção de sobrenomes. Bem, era eu mesma. A pessoa com o sobrenome mais longo da empresa, (praticamente uma Dom Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo wannabe).

Aaaaah! Era euzinha! Tanto tanto que um amigo espanhol levantou-se no outro canto da sala para me dar os pêsames (tínhamos a mera esperança que voaríamos juntos para Nova York e nos jogaríamos no Guggenheim porque, quando estivemos juntos em Paris, fizemos as finas no D’Orsay e acabamos com nosso allowance no Cafe de la Paix). José é um amigo bibona de Asturias. Absolutamente louro de olhos escandalosamente verdes. Estava com saudades das nossas afetações em Alexandria, Paris e Dusseldorf. 😦

A sentença foi dita em voz alta: Kuala Lumpur! Wawaweewa! Tão boa que as culega aplaudiram! “Arrasa, racha!”, “se joga no Pavillion e em Bukit, muitas compras!”, “faça a fina das Petronas”. Saí saltitando e dando tchau de Miss Brasil para as amigas e corri para a sala de briefing.

O melhor foi reencontrar um amigo queniano-indiano no mesmo vôo, o Chirag, e, de quebra, voar com pessoas tão legais: uma búlgara que jurava que eu era Búlgara, um chefe de cabine paquistanês que me ensinou pencas de palavrões em urdu e me deu dicas maravilhosas de filmes indianos, um egípcio sem noção, um co-pitolo que era o clone do Mr. Bean versão indiana, um aprendiz de co-piloto que media 1,55m, uma australiana hiperativa e um piloto holandês que adora falar com passageiros através das caixas de som.

– É a sua primeira vez em KL? – indagou o queniano-indiano enquanto tentávamos nos recordar qual vôo havíamos feito juntos pela última vez.

– Você é Búlgara? – continuou Petya, a búlgara.

– Você fala árabe? – perguntou Ahmed, o egípcio sem-noção, em árabe.

Geralmente a tripulação esboça um mix de preguiça e mau-humor nos briefings que precedem os vôos. Mas esse grupo estava cheio de energia. Gosto muito disso, geralmente sou a única empolgada e acabam me perguntando se ingeri muito açúcar.

O vôo foi fácil. Não estava cheio, os passageiros estavam contentes e empolgados, a maioria estava em férias. As 06h20 entre Dubai e Kuala Lumpur passaram rapidamente a bordo e pousamos um pouco antes do previsto. Como não havia dormido antes da reserva, assim que cheguei ao hotel (ok, 10 minutos após ficar boquiaberta deslumbrando as Petrona Towers da janela do lounge do hotel, PQP, como são lindas quando iluminadas) tomei banho e capotei. Dormi como uma pedra até as 8 da manhã. Levantei e encontrei um bilhetinho sob minha porta.

Era um convite. Petya, a búlgara, me convidava para que me juntasse a ela, ao Chirag e Ahmed para um passeio nas cavernas de Batu. Pensei “que diabos!”. Estava com medo de me enfiar em algum programa de cacique. Porém, às vezes gosto de mandar guias turísticos às favas e me surpreender com um destino sem contar com prévias indicações…

Enfim. Fui. Posso dizer que aquele lugar arrancou meus pés do chão. Mas deixo isso para o próximo post, afinal, já está tarde aqui em Dubai e ainda preciso baixar as fotos da minha câmera.

Assunto para o próximo post. 😉

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6 Comentários

Arquivado em Hinduísmo, Malásia, viagem

6 Respostas para “Malaysia Boleh! (e a tal reserva…)

  1. “arrancou meus pés do chão” é coisa boa né? quando li pela primeira vez senti dor hihihiligue não, sonolento e teclando deitado em cima da cama, mais folgado impossível.

  2. Dedico pra vocêIn Brussels, Bonn or BarcelonaI’m in demand and quite at home there’Adelante!’ Through the door’Un momento, por favor’This is what I get paid for’Muchas gracias, senor’

  3. Mel

    Malaysia é muito bom,adoro demais Bukit Bintang e as torres a noite ficam deslumbrantes refletidas nas aguas do lago que fica do lado delas.To ansiosa pra ler o post sobre as cavernas,coisa que nao fiz nas vezes que fui.Beijos beijos!

  4. Uiaaa, me deixou curioso! 😀

  5. Fiquei curioso foi com seu amiguinho espanhol, José… =)

  6. Egipcio sem nocao eh pleonasmo, ne?

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