Arquivo do mês: dezembro 2010

balanço geral e bom ano-novo!

Não simpatizo com anos pares. Geralmente são anos que trazem mudanças em minha vida e, se são apenas coincidências, não sei não – mas acredito, assim como Einstein, que são as tais coincidências a forma escolhida por Deus para permanecer em anonimato. Meu natal foi horroroso: passei sozinha em Dubai comendo kebab paquistanês na ceia após um Nova York daqueles.

Naquele momento o universo parecia cospirar contra mim: recebi a notícia de que a empresa me tiraria do meu apartamento em Al Barsha onde, pela primeira vez, me senti em um lar; meu laptop deu pau, a companhia telefônica cagou no maiô me acusando de não ter pago minha internet quando, na verdade, falharam em cacelar minha conta, fiquei presa na imigração estadunidense por uma hora graças aos meus vistos pro Paquistão e mais uma coleção de outras pequenices tão agradáveis como uma hérnia de disco. Não estava sendo fácil, não é mesmo, Kátia cega?

Mas tudo passa, tudo passará. Né, Ned?

Ganhei uns dias off da empresa e fui pra Sampa. Colo de mãe, cachorrada e telefonema da melhor amiga são remédios milagrosos para a alma. Árvore de natal, comidinha de ceia, pavê de chocolate, Santos, Maria, piadas e comentários politicamente incorretos da mãe da libanesa… Benditos remedinhos!

Botei o pé no avião e surpresa: minha amiga Carol estava no vôo, minha comissária. Botei o pé em casa e recebi uma notícia maravilhosa: meu novo apartamento será no prédio que escolhi. Com quartinho para guardarmos coisas, quartos do mesmo tamanho, uma cozinha lindinha e sala espaçosa. Além disso serei vizinha de andar de duas das minhas melhores amigas ever, duas irmãs que, se você não se apaixonar a primeira vista, queridinho, você tem POBREMA.

Melhor ainda? LARA, MINHA LEITORA TAO QUERIDA, BEM VINDA!!!! Sem palavras para expressar minha felicidade em saber que você será minha colega, que vamos passar tardes tomando chá e fofocando ao vivo. Parabéns e seja bem vinda a melhor aventura que você terá em sua vida.

E desejo a todos uma ótima virada. Aos que estão cagados: melhoras, a maré de azar passa. Outro dia estava tendo chiliquinho com má-criação de golimar, hoje estou feliz e contente, all good vibes. Pois compartilho-as com vocês, amados leitores. Botem o copinho d’água na frente do monitor e façam uma oração, hahaha.

E se der uma sumida, pera lá: preciso empacotar minha vida e me mudar. Wallah!

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Arquivado em pobrema

Ipad

Vendendo meu Ipad por R$ 1500. 32 GB wifi. Novíssimo, nem liguei. Com capinha + Camera Connection Kit originais da Apple. Revendendo porque comprei no impulso, sabe?

Interessados, please: ahlibanesa@gmail.com

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o melhor lugar do mundo e a casa da gente

E, pra mim, a melhor cama do mundo e a da minha casa em Sao Paulo. E o melhor carinho do mundo e o da minha mae, da Maria, dos meus amigos e dos meus cachorros. O cafe da manha mais gostoso do mundo nao esta em nenhum hotel cinco estrelas: embora eu ame os dim sums do Renaissance em Seul, o cafe-com-leite da Maria e os paezinhos da padaria da esquina sao os melhores do mundo. Tomar cafezinho de filtro no meio da tarde e melhor do que qualquer expresso, os programas de fofoca da TV aberta dao cavalo de pau em qualquer documentario na TV a cabo.

Tendo dito isso, peco que assistam ao depoimento da Sandra:

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Alli-baba!

Alguem ja ixprimentou?

http://www.myalli.com

Nada melhor do que uma ajudinha quimica para uma resolucao de ano novo. Quero queimar seis quilos (pra ter 2 de faixa de seguranca para as minhas coxinhas e sfihas, hah) e entrar nas malditas calcas brancas sem parecer uma galinha: coxao e canelinha. Disseram-me que o efeito nao e como o do Xenical. Ai inves de ir ao banheiro toda hora, guarda-se para “tudinho de uma vez no fim do ano”. Vai ser uma beleza.

Custa 75 dolares em Nova York e nem adianta pedir mwamba, afinal, to levando dois potes para um amigo e mais dois pra mim.

Agora vou terminar de curtir meu mau-humor comendo kimchi que comprei no mercadinho coreano aqui do lado. Tiraram meu voo de Seul e me botaram no Paris. Sim, uh lala, Paris. Pena que nosso hotel fica no Charles de Gaulle, ta frio bacarai. To levando marmita e guardarei meus euros no cofrinho do Iphone. Porque nao toco mais no meu salario para comprar mais nenhum gadget da Apple. 😡

O que mais m’entristece e que tinha planos com minha amiga la na Coreia. Imaginem: uma tem origem judaica, a outra, libanesa. Tava sonhando com o dia em que virariamos o coreano da lojinha de cameras de cabeca pra baixo. Ela e como eu, nao da gorjetas. What’s not to love?

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Arquivado em gorda safada

Carrefour em Pequim

Não consigo pensar em experiência mais particular e nauseabunda do que uma visita a esse supermercado aqui do lado do meu hotel. Nada contra a marca Carrefour, vejam bem: sou fã aqui em Dubai, onde quase sempre compro produtos da marca da casa porque o achocolatado é muito gostoso e a padaria deles é a melhor da cidade. O que pega é que a experiência em um supermercado popular chinês não é uma das mais agradáveis do mundo.

Começo pela entrada, onde o banheiro público exala seu odor ao lado do estacionamento de bicicletas – justamente ao lado da entrada do meu hotel. Um pouco mais a frente uma mãe segura seu bebê com a parte de baixo de seu corpinho desnuda. E a criança se alivia sobre a lata de lixo. E não tô falando só de número um.

rápido, barato e mal-feito

Sigo direto para o piso superior. Preciso comprar uma calculadora com números grandes para administrar meu rico dinheirinho. Encontro uma por RMB 19 (menos de cinco reais) e de brinde ganho uma caneta e um marca-texto. Quando cheguei no hotel, lógico: a calculadora não funciona porque está sem uma das duas baterias. Penso “ok, estou na China, o que mais poderia dar errado?”.

Sigo passeando pelas seções de eletrodomésticos, utilidades de cozinha, roupas, calcinhas e chego a seção de plantas e animais. É de chorar: peixes beta em minúsculos aquários, tartaruguinhas de água em copinhos minúsculos de plástico com pedrinhas e um pouco de água. E uma espécie de anfíbio horroroso num pequeno potinho. Tudo isso amontoado na bagunça do meio da manhã que reina naquele supermercado superpopuloso. Dá vontade de chorar e me questiono como a marca Carrefour permite esse crime contra animais em um de seus estabelecimentos.

come-se tudo o que tem perna e não é mesa, come-se tudo o que voa e não é avião

Desço revoltada para o piso térreo para comprar minhas verduras e arredar o pé dali. A única coisa que gostei foi que as alfaces e as outras verduras asiáticas que tanto gosto já vêm embaladinhas em porções pequenas. Ok, é desperdício de plástico yadda yadda yadda. Mas nas condições reais de higiene do local acho que agradeço por não ter que escolher um pezinho de alface onde espero que aquela mãe que segurava a criancinha cagona não estivesse espalhado seus coliformes. Agora, se o Chen que embalou meus bok choi deu aquela coçada no toba enquanto empacotava tudinho, bem… Ignorância, ás vezes, é uma virtude. Vou enfiar tudo no hidrosteril por meia hora antes de comer, mesmo.

Tento me aproximar do açougue. Mas o bouquet de odores de órgãos defumados, peixe e sebo me afastam. Mesmo assim consigo visualizar coisas tão agradáveis como tripas de pato, pés de galinha, carcaças defumadas de alguma ave que desconheço, bichos da seda e por aí vai. Vegetarianismo, pra mim, nunca fez tanto sentido.

pezinho de galinha defumado, hmmmm :/

Quase tão horroroso como tudo isso é ver a seção de bolinhos de peixe congelados e kani-kama… aberta! Em um enorme congelador eles estão expostos sem nenhuma proteção para que você os colete com uma grande colher de arroz e enfie-os em um saquinho plástico. Ou seja, se você estiver escolhendo seus bolinhos e kanis e outros produtos congelados e espirrar adivinha só que maravilha!

Estou escolhendo alguns iogurtes quando um senhor indiano faz contato visual comigo e pergunta alegre se sei em que parte da grande geladeira de laticínios ele poderia encontrar manteiga e margarina.

A Índia é quase tão distante do Brasil como a China. Mesmo assim percebo o olhar de cumplicidade desse senhor: somos dois seres estranhos nesse supermercado. É como se tivéssemos aterrissado nossas aeronaves em Plutão. Sinto um momentinho meio “Lost in Translation” de Sofia Coppola. Seguimos com nossas compras em pontos diferentes do supermercado, mas toda vez que cruzamos nossos carrinhos abrimos um sorriso que poderia ser traduzido como “puta que o pareeeo, que bom saber que não estou sozinho nessa indiada!”.

Aliás, vejam que lindas as embalagens de iogurte da marca Yili feitas pela Ogilvy:

Lógico que comprei para experimentar! 🙂 (clica para ampliar e veja só que fofoluchos)

beleza, neusa

Na parte de produtos de beleza uma chinesa tenta me convencer a comprar um creme que desconheço e não tenho idéia para o que sirva. Porque ela está me explicando em chinês. Demonstro não entender, digo em um mandarim tosco que não falo necas desse idioma mas ela segue. Começo a responder em português mas ela insiste. É um diálogo maluco, uma situação tão irreal que passo a apreciar. Começo a cantar em italiano e ela ri. Finalmente coloca o produto no meu carrinho. Desisto desse papo de Patropi. Saio dali com o produto ainda não sabendo se é um creme de pentear, um shampoo nutritivo ou um amaciante de pelos púbicos. Caminho por alguns corredores e abandono a embalagem verde com alguns pepinos desenhados no meio de alguns pacotes de bala decorados para o ano novo chinês.

E o que mais me frustra na Ásia são os produtos da Shiseido com preço de Monange… E legendas em outros alfabetos. Não sei para que diabos serve esse shampoo lindinho e não vou enfiar isso na minha cabeça. Ainda mais sabendo que muita neusa gosta de encrespar o cabelo. Vade retro cabelo crespo!

Bem, vocês já sabem que muitas vezes escolho produtos pela embalagem. E as camisinhas asiáticas tem embalagens lindas. Já sei o que vocês vão me perguntar. E sim, já comprei para ver como são. E sim, são menores. Tive que joga-las fora (ei, não estou querendo me gabar… Ok). Ou seja, colega: se o macho tem um trozobão, não compra camisinha na China. Talvez no Quênia.

fila

Uma coisa que admiro muito aqui na Ásia é o respeito que os mais jovens tem pelos mais velhos. Seguindo essa etiqueta cedi meu lugar na fila a uma senhorinha. Logo em seguida apareceu um outro senhorzinho. E assim formou-se uma fila da terceira idade na minha frente. Quando um terminava de pagar a conta outro velhinho brotava no chão. E assim fiquei 40 minutos na fila do Carrefour. >.<‘

E assim que paguei pelas minhas compras saí satisfeita. A Ásia, pra mim, é como o yakissoba que o ching-ling vende na Avenida Paulista, na frente da Gazeta (e me alimentou por quatro anos de Cásper): é xexelento. Mas eu ADORO!

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Arquivado em China, Pequim, supermercado

samba na casa do gato, samba na casa do cachorro

Estava chegando da clínica feliz com mais uma dose de Typhim Vi em minha caderneta de vacinação (nada faz uma hipocô mais feliz do que uma gaveta cheia de remédios e uma caderneta cheiazinha) quando entro no meu prédio e páro para esperar o elevador. Estou ao lado de uma colega “aeromoça” quando um senhor de camisa azul e algumas listras se bota atrás de mim, me acotovela e entra correndo no elevador.

Fiquei tão pasma que não reagi na hora, só vi o queixo caído da menina ao meu lado. E a porta começa a fechar porque o filho da rapariga apertou aquele botãozinho maldito que fecha portas rapidamente.

3, 2, 1…

Olha… Quer enfiar o dedo no cu do diado? Enfia. Faz fisting se quiser. Mas não reclama do cheque. Quem morde o rabo da libanesa tem que se preparar pra diarréia dos infernos pós fio-terra no capiroto. Não se cutuca a libanesa com vara curta.

3, 2, 1…

Vi a frestinha da porta ainda aberta e, como valho menos do que o gato enterra, enfiei minha mão no meio e a porta se abriu. Porque mesmo que aquela merda de sensor enguiçasse e eu perdesse a minha mão, preferiria ficar cotoca do que levar pra minha casa tamanho desaforo.

Entrei muda, sorri para o velho, um caucasiano WASP da vida. Lógico, ele ficou vermelho. De raiva, que seja. Mas sorri. Ele desembarcou no primeiro andar, afinal, ele é o famoso engenheiro louco que fica todos os dias perto da porta reclamando com quem passa arrastando mala de rodinha. Uma pessoa alegre e de bem com a vida, como podemos ver. Não deixa nem os vizinhos ouvirem música, um cerumano ótimo, não?

Quando ele saiu eu só disse uma coisa:

– Hey!

Ele olhou pra mim.

– Se eu tivesse essa sua cara de bunda azeda eu também teria muito ódio da humanidade. Merry Christmas!

Cheguei em casa louca de ódio. Porque mais do que vizinho cuzão, odeio vizinho que leva hierarquia pra dentro do prédio. Porque esse fulano não destrata os managers ou os comandantes. Mas os co-pilotos, as comissárias, os porteiros, ah, sim, esses tomam hadouken dentro do prédio.

Pode anotar: hoje alguém vai ligar pro delivery da farmácia pra pedir pomadinha pra hemorróida inflamada. E não serei eu. Nossa, que ódio. Para minha peitica passar, entoo meu mantra favorito.

samba na casa do gato, samba na casa do cachorro…

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Arquivado em meu cu

Mortal Kombat Arabe

Obrigada a Jules, a gori que toma chimarrao! Morrendo de rir com essa vinheta da MTV meio Street Fighter meio Moratl Kombat (sim, fui nerd o suficiente para sacar isso). 🙂 Cago de rir quando o arabinho da esquerda desce o cacete no outro usando o eggal (aquela coisinha preta que segura o lencinho da cabeca).

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Arquivado em Dubai, video, video game