Arquivo do mês: fevereiro 2011

felicidade bate como um bule em sua cabeça

Não existe dor de coração partido que você não possa superar. Basta olhar para o lado e notar que o mar está cheio de peixes e lagostas e jacarés e piranhas e pepinos-do-mar e contar um pouco com o amor de seus amigos. Passei alguns dias de resfriado e gastura. Mas nada que as melhores vizinhas do mundo, que a terceira temporada de Big Bang Theory (Raj, te amo), que vários Pequims e Hong Kong, que o skype com a mãe e o bichón frisé, que o bolo de limão com lemon curd, que as palavras de carinho não curem.

Amanhã me mando pra Hong Kong, o lugar no mundo que me serve como canja de galinha pra alma. Vou comprar meu Iphone, vou me jogar na SASA, vou abraçar minha amiga, vou comer dim sum, vou comprar cacareco inútil, vou vestir minha calça favorita, vou me perder nas ruelas de Causeway Bay e talvez tomar um belo banho de chuva. Vou andar descalça no quarto do hotel, vou ouvir Amado Batista, vou fazer uma facial maravilhosa e usar todos os meus cremes favoritos no rosto, no corpo, no cabelo.

tradução da música aqui:

Cleycianne Traduz: Dog Days Are Over – Florence and the Machine

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Arquivado em Ingrish, música, ungida

requentando: Malásia – As Cavernas de Batu

Continuando o post do dia 8 de fevereiro (Malaysia Boleh!), segui em companhia de Petya (búlgara), Ahmed (egípcio) e Chirag (queniano-indiano) até as cavernas de Batu. Nada sabia sobre o local e imaginei que, segundo a descrição caótica de meu colega hindu de Nairóbi, teríamos alguma experiência espeleológica bem bacana: Estalactites, estalagmites, oi, super sonho. Entrei no taxi meio contrariada, esperando algum programa de cacique. Mas esses três eram tão legais e, por favor, fazer turismo nas torres Petronas não é meu estilo.

Após cerca de 30 minutos e 40 RM (cerca de 20 reais), chegamos aos distrito de Gombak e descemos do carro. Fotografei a primeira imagem que vi:

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Por favor, não chochem a qualidade das fotos. Estava muito quente, muito úmido e o sol, muito forte. Sou muito branca, não suporto ficar exposta ao sol das dez da manhã e tenho pressão MUITO baixa.

Minha sorte é que tive um insight fabuloso: ao invés de vestir jeans com camisa acinturadinha e scarpin vermelho da mesma cor da minha Victor Hugo, pensei: moro em um país tropical abençoado por Deus e SEI que ficarei toda desconfortável com sapatinho e camisa acinturada sob uma umidade terrível. Vai colar no corpo, vou me sentir mal, a pressão vai cair, vou ter que sentar e VOU FAZER DRAMA.

Como estava com a mala pronta para qualquer destino (já que estava em stand by no aeroporto), transformei uma saída de praia em bata (apenas coloquei um alfinete para diminuir o decote, afinal, não estava com roupa de banho embaixo e não queria expor as peitcholas em um país majoritariamente muçulmano). Coloquei uma skinny e peguei minha khussa favorita. Também troquei a bolsa vermelha por uma de tapeçaria árabe que comprei aqui em Dubai e que cabe tudo. Pronto! Libanesa indiana tropical. Deu tão certo que vou comprar pencas de outras saídas de praia – suuuper fresquinhas.

A prova cabal de que estava num clima tropical eram essas lindas bóias de praia:

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Eu queria tanto essa Margarida! Mas lembrei do mico que passei com a Dri Spaca quando o Celso Dossi conseguiu uma bolona tipo a do Quico na barraquinha de argolas lá no CTN, no show da Banda Calypso em dezembro último. Passamos a noite inteira cuidando da bola.

O indiano-queniano, que muito bem já conhece essa libanesa, me olhou de forma repressora. É. As lombrigas estão magoadas até agora. Como passarei o próximo verão SEM ESSA MARGARIDA?

Caminhamos em direção a entrada das cavernas passando por uma coleção de barraquinhas que vendiam desde camisas sociais (!!!), até CDs de Bollywood, cursos de computação (!!!), guirlandas de flores frescas e leite de vaca para que os fiéis praticassem o kavadi: uma vasilha de prata contendo leite bovino para o deus Murugan.

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Paramos para ver esse tio da foto abaixo. Por favor, não entendo NADA de hinduísmo. Logo, me desculpe se não entendi o que se passava. Agradeço se algum leitor me explicar (assim farei um adendo ao post).

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As pessoas acotovelavam-se para tomar o “passe” desse homem. Alguns entravam em transe ali mesmo. Petya, Chirag, Ahmed e eu estávamos embascacados. Só algo me chamou mais a atenção:

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Damn it! Eu quero essa bexiga, bóia, whatever!!!

Continuamos até a entrada da caverna. O que eu não esperava era justamente aquele detalhe no lado esquerdo da foto:

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Degraus. Muitos! Aliás, essa é a imagem do deus Murugan. E que ele me desse forças para subir tudo aquilo.

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O fato é que você começa a sentir a energia do local ali mesmo. São 272 degraus e você não chega lá em cima exausto. Parei apenas uma vez para tomar ar e continuei ao lado de senhoras gordinhas e idosos que subiam animadamente. Quem explica isso? Não subo dois lances de escada no meu prédio sem ter um princípio de ataque cardíaco e, aqui, não senti nenhum desconforto, falta de ar ou exaustão.

Sem falar que os degraus eram estreitos, logo, tive que subir nas pontas dos pés porque meu delicado pezinho número 40 ficava metade para fora. Aliás, antes que alguma bicha pão com ovo choche o tamanho do meu pé, vale lembrar que tenho mais de 1,77m. Logo, antes de dizer que sou pezuda, vá cuidar do seu nanismo.

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Vejam a expressão de felicidade de Ahmed (esquerda, de camiseta preta). Achávamos que morreríamos, mas subimos direitinho.

Ao nosso lado, os fiéis escalavam aquela infinita escada equilibrando sua oferenda de leite de vaca em um potinho de prata. Não vi ninguém derrubando nada!

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Agradeço ao capitalismo pela barraquinha de bebidas ao final da escadaria. Mataria por uma garrafinha de água. Fizemos um pit stop ali para nos hidratar e seguimos entre os fiéis.

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Ali eles se organizavam em pequenos grupos antes de entrar na caverna. Alguns carregavam vasilhas de prata com leite, outros tinham painéis muito pesados presos aos corpos.

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O fato é que chegamos exatamente no dia que antecedia ao festival Thaipusam, que celebra o nascimento do deus Murugan – filho de Shiva e Parvati. Ou seja, o povo já estava no climão – mas sem a parte que reúne 2 milhões de pessoas (ufa!).

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Lá dentro, alguns se dirigiam a uma caverna menor para finalizar suas oferendas. Enquanto outros entravam em transe e, bem, praticavam auto-flagelação. Alguns engoliam pequenos pedaços de carvão em chamas (ai), outros atravessavam lanças e ganchos em diversas partes do corpo – tudo sem uma gota de sangue.

Com sangue ou sem sangue, o fato é que quase desmaiei. Desculpem-me, não estou julgando. Só sei que não agüento nem agulha de injeção, ou seja, isso me fez muito mal e tive que desviar o olhar. Pelo que pude entender, quanto maior o grau de dor, maior o mérito do devoto. O que achei contraditório já que muitos diziam não sentir dor enquanto perfuravam a barriga com argolas de prata.

Uma forma mais light de passar por alguma provação era carregar os tais painéis pesadíssimos sobre o corpo:

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Pelo que vi, nem a criançada escapava. Esse aí não deveria ter mais de 12 anos e, toda vez que alguns fiéis levantavam o painel para que ele mudasse de posição, podia ver as feridas que se formavam em seus ombros.

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Desculpem-me pela sinceridade. Mas quer se furar, se fura. Quer comer fogo, enfiar lança nas costas, beleza. Mas botar a criançada para carregar painel pesado, aí já perco o meu rebolado. Enfim, outra cultura, não posso julgar, então resolvi sair de perto.

Ao meu lado vejo um adolescente tomando um passe. Em seguida desmaia e entra em convulsão. Pensei que fosse epiléptico e já estava pronta para ajudá-lo a não se machucar, mas o Chirag segurou meu braço e disse que aquilo não era epilepsia.

Se não era epilepsia, não sei o que era. Porque o jovem se debatia e babava, podia ver que estava com a língua enrolada. Era uma convulsão sim e alguma coisa (ou forte coincidência) impulsionou esse ataque.

Quando ele começou a se recuperar, outro jovem caiu no chão em transe, mas sem colvulsão. Diria que estava drogadíssimo, mas não o vi ingerir ou inalar nada. Já viram trombadinhas quando estão colocados com crack? Pois era igualzinho.

Testemunhar essas cenas somadas a energia do lugar e ao cheiro de leite azedo me deixaram bem mal. Não é minha religião, desconheço tudo o que ali se passava – o que me deixou ainda mais assustada, afinal, é natural que o ser humano tema o que não conheça. Por favor, não me entendam mal. Não estou julgando. Só sei que era algo completamente inédito para mim.

Quando olhei para a búlgara e a vi mais branca do que eu, puxei-a num canto e decidimos que a coisa mais prudente, naquele instante, seria sair dali.

Continuamos caminhando até uma parte aberta da caverna onde vimos alguns macaquinhos. Ficamos por lá um tempão tirando fotos e dando risada com o que esses bichinhos aprontavam: reviravam lixo (as cavernas estavam cobertas de sacos plásticos e toda sorte de porcaria que os fiéis deixavam para trás), roubavam ítens dos turistas (então tirei meu Prada da cabeça e enfiei na bolsa, huahua), descascavam bananas e as comiam igual a uma pessoa (o que me lembrou da minha avó que fazia beicinho cada vez que dava uma mordida na fruta), fornicavam (muita desinibição) e corriam entre os turistas.

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Petya e eu então tivemos a “brilhante” idéia de nos aproximarmos de um macaquinho tãããão bonitinho para tirarmos uma foto. E quase levamos uma mordida, pois o bicho que parecia tão amigável e doce enquanto nos aproximávamos, de repente, nos mostrou um belo par de caninos. Aí que a turca e a búlgara saíram correndo.

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Quando os meninos finalmente se cansaram de filmar o povo se furando, decidimos ir embora. Era unânime que estávamos sentindo uma energia muito forte. E isso nos deu uma fome daquelas (e nem fodendo que comeríamos alguma coisa por lá, nem tô a fim de aumentar minha coleção de lombrigas).

Se subir foi fácil, descer foi um inferno. Ahmed e eu cagamos de medo de altura e tivemos que descer os 272 degraus de ladinho, segurando no murinho que dividia a escada. Huahua, o que levou uns bons 20 minutos.

Nos entupimos de frutos do mar lá no Shopping Pavillions. E as liqüidações do Charles & Keith fizeram o dia da Petya (e o meu, lógico). Depois passeamos por Bukit, comprei pencas de frutas para trazer para Dubai e, finalmente, nos entregamos a uma uma hora inteirinha de massagem por meros 30 reais. Tá?

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Eu e Petya, recarregadas em Bukit.

É fato que dormir nos ajuda a assimilar novas informações. Pois bem, ao voltar pro hotel, sentei na cama e dormi 5 horas non-stop antes de voar de volta.

Se recomendo o passeio? Com certeza! É imperdível. Se voltaria? Nem fodendo. Uma vez basta. Já fui, já vi, já fui chacoalhada com tanta novidade e, na próxima, vou me restringir às turísticas Petronas. Aliás, tá aí uma foto que tirei delas lá no lobby do hotel. 🙂

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(post requentado, publicado em 8 de fevereiro de 2009)

(obs: voltei pras tais Cavernas em junho do ano passado, numa trip muito menos xexelenta)

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Arquivado em Kuala Lumpur, Malásia

mau-humor

Estou doente e cozinhando muito. Minha viagem para a Tailândia foi pro saco por ser “muito cara” para minha companhia que vocês já sabem muito bem quem é. Nem todos os dias são sábado, nem todos os dias o meu cabelo está bonito, nem todos os dias o mundo acorda de bom humor.

Para evitar um hiatus, vou repostar alguns textos enquanto preparo alguns inéditos sobre organização de malas e meu prédio no meio da areia – para minhas leitoras fofoluchas de mi corazón do formspring.

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ladyboy airlines

Estou de molho em Pequim (gripe, forte) fuçando tudo sobre turismo na Tailândia. Quero fritar três dias em Bangkok e depois me mandar para alguma praia para descansar. Estou checando cada praia no Wikitravel e Trip Advisor para evitar festas da lua cheia e destinos onde a maloqueirada se reúne pra tomar droga barata, fazer arruaça e porcaria na praia. Sim, sou uma quase balzaca cheia de preconceitos e tenho HORROR a galera dos chinelinhos de couro, cangas tye-dye, dreadlocks (sério, saio de perto), pulseirinhas artesanais e brinquinhos de casca de coco. Confesso que adoro uma aventura, um destino fora-de-rota… Mas não abro mão do conforto de um hotel com água quentinha, caminha LIMPA e um cantinho bonitinho onde eu possa me jogar com um livro ou laptop na mão. Sei que isso custa $$$$$, mas foda-se, tenho emprego pra isso e a vida é curta demais para que eu acorde com alguma coceirinha psicossomática por achar que algum bed bug imaginário tenha me picado.

Essa pesquisa está sendo trabalhosa mas muito divertida. Em Bangok descobri um museu de medicina forense onde a camisa ensanguentada de uma vítima de consolo está exposta – sim, vítima de consolo… afinal, a pessoa foi morta a duros golpes de vibrador. Também descobri cinemas na capital tailandesa onde poderei assistir toneladas de filmes locais – inclusive os de terror gruesome – tudo com legenda em inglês. Sem falar dos muitos mercados noturnos cheios de cacarecos (o Suam Lum é paraíso da galerinha metida a hipster), dos incríveis spas e salões de massagem, da culinária tailandesa e da putaria dos shows das periquitas que atiram coisas nos palquinhos do Patpong.

Mas minha descoberta mais sensacional foi uma companhia aérea local chamada P.C. Air. – a primeira empresa no mundo que contrata ladyboys como comissários de bordo. Sim, ladyboys… Transexuais! Achei sensacional! Infelizmente o site é muito tosco, não há informações sobre rotas e não dá para reservar o bilhete online. Mas como sou teimosa, hei de bookar um assento através de algum operador local… Que seja pras praias, que seja pra China, pra Coréia, pro Usbequistão.

Leia a matéria completa aqui.

E antes que as amygues se empolguem em preparar as malas e ir embora para Bangkok para começar uma carreira nova, deixo aqui os pré-requisitos para quem quiser se candidatar:

– idade máxima deverá ser 27 anos (já rodei);

– curso superior completo;

– fluente em inglês e tailandês;

– deve ser cidadão tailandês – sorry.

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Arquivado em Bangkok, Cia. Aérea, Tailândia

porque hoje é sexta-feira

Você tem um remédio que me cura…

Bundinha de tanajura!

vou pro Global Village e só tenho sessenta reá na carteira!

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48 horas em Pequim

Donzhimen, no centrão pequinês. Muito amor!

E lá fui eu de volta pra Pequim. Passar mais um pedaço de feriado do ano novo chinês com a galere, afinal, a minha turminha é da pesada, vai aprontar todas e deixar a capital chinesa de pernas pro ar. Pousei em Dubai de madrugada como tripulante, voltei para casa correndo, tomei banho, arrumei uma malinha e corri pro aeroporto. 🙂 Weehee!

Não fui de Airbus 380, infelizmente. Mas o 340-500 é bem chuchu beleza e, vejam só a cabine privativa da primeira classe (glorifica de pé, Igreja). Amygues, controlem a inveja. 😉

Essa é a minha fanfreluche favorita na primeira classe: o kit com dois pozinhos aromaterápicos de pirlimpimpim. Um para cheirar antes de dormir e relaxar, outro para quando despertar e dar um up – não, amygues, não é aquele lá, isso não é primeira classe de Morro do Alemão Arlines.

Pousamos em Pequim as 22h20 e saí correndo como uma maluca para não enfrentar filas numerosas de numerosos chineses. Mas não resisti: parei na bridge para tirar foto do meu nenezão.

Ele não é lyeeendo? Ele não é gordjeenho? Mal aê pelo reflexo, não deu muito tempo para ajeitar a foto. Aproveitem o reflexo para ver se meu cabelo é RUNHO, se meu nariz é batata etc.

🙂

Pensem numa libanesa pelo longo e liso correndo pelo terminal com sua malinha de bordo e casaquinho vermelho, arrancando a mala cor de rosa da esteira (eu sei, é cafona, mas uso mala rosa-choque para poder vê-la de longe, já vi muito caso de neguinho tendo mala roubada ou levada por engano – de nada pela dica) e sumindo pela porta de desembarque. Lá fora fui recebida pelos amigos e ainda ganhei um bouquet de lírios como boas vindas – como não amar?

Fiz check-in no Radisson Blu: está em Chaoyang, próximo a San Li Tun e outras áreas de meu interesse, tenho desconto e a internet é gratuita. Além disso estou SEMPRE voando para Pequim, logo, o staff do hotel já me conhece e me tratam muito bem. Por outro lado a comida no hotel é horrível. Mas comer em hotel em Pequim… Hello-oooo?

Tomei um banho rápido e saímos para jantar em Dongzhimen, onde escolhemos um restaurante já conhecido da galere. Pedi uma cerveja e comecei a folhear o menu: carne de tartaruga, coelho, burro… Jurei que se encontrasse cachorro levantaria dali. O cardápio estava recheado de fotos que eram divididas pelo tipo de culinária (cantonesa, Sichuan) e fui direto aos frutos do mar para evitar surpresas.

Mas essa bichinha aí com uma gema de ovo no casco me fez querer morrer. 😦 (agora que vi que é um chilli, putz, miopia mandou um alô)

E os gafanhotos aperitivos realmente não abriram meu apetite.

Isso é uma coisa muito curiosa que já vi em vários restaurantes pequineses: pratinhos embalados no plástico. Para dar uma certa sensação de higiene. Sim, claro. É que a câmera não capturou as manchas de gordura na toalha. 🙂 Bem, se estamos no inferno… Abracemos o capeta. Abracemos, beijemos na boca, mãozinha na perninha.

Espinafre refogado no alho e gergelim para começar a noite. Muito saboroso! Não sei que diabos são essas coisinhas vermelhinhas. Arrisquei “rinzinho de ratinho sequinho” e a galere quase me bateu. Esses alemães tem um senso se humor meio seco, né? Mas na verdade aquilo é uma frutinha seca e, lhes juro, só experimentei porque já tinha sorvido uma garrafa inteira de cerveja.

E meu prato principal: camarões na chapa com muita pimenta, nham nham! Quanto custaria um prato desses no Brasil? Aqui custou 58 dinheirinhos locais, ou seja, menos de 15 reais. 🙂 E estavam deliciosos.

Como vocês podem imaginar: cerveja + fartura de comida = sono pesado. Não aguentei a proposta de baladinha no ótimo Yue Club – um lugar bonitinho com estrangeiros lindos, cerveja boa e música eletrônica de primeiríssima qualidade. Ficadica, amygues.

Sábado

Como estava em Pequim para aproveitar minha folga, não me dei o trabalho de sair da cama cedo. Perdi o café da manhã do hotel (não estava incluso no preço e acho ruim) e segui para o Starbucks (era o que tinha) para o café matinal, ali no pequeno Shopping Centre, o Rainbow. O engraçado é que um café e um bolinho naquele lixo custaram a mesma coisa que meu prato principal no jantar. Enquanto um amigo se esforçava para que meus músculos faciais esboçacem algum sorriso em meu rosto – sim, eu sou um MONSTRO mal-humorado antes da cafeína diária – meu amigo brasileiro estava dirigindo ao nosso encontro para aumentar o time. E adivinhe onde fomos? Ao lugar favorito do Bê em Pequim: Starbucks. Ouch!

Passamos o dia conversando e dando risada, afinal, esse era mesmo o objetivo da minha viagem: descansar e me divertir ao lado de amigos. Poderia ter feito isso em Dubai? Talvez. Mas como sou rica, riiiicaaaaa tenho benefícios de passagem e descontos incríveis, aproveito para rodar por aí e me divertir muito. Foi um tratamento e tanto para a alma e deixou meu coração muito quentinho – o que é muito importante para quem vive longe da família e me custou menos do que um mês de terapia.

A alegria do dia foi a visita a uma loja de roupas que faz coisas que papai do céu não gosta, mas que eu ADORO. Como muitas grifes tem fábricas na China, parte da produção que deveria ser exportada é marromeno desviada de seu destino final e vendidas a preço de custo por aqui. O mais engraçado é que elas são vendidas com a etiqueta de grife, já com o preço em euros ou dólares americanos. E dentro, uma etiqueta com o valor em RMB, a moeda chinesa. Arrematei um casaco de inverno pesado da Calvin Klein Jeans por 100 reais. E na etiqueta: 600 euros. As amizades também saíram grifadas mas com a carteira ainda cheia, uhul.

E sim, isso é feio e se chama mercado negro. Mas tenho uma jaqueta de inverno quentinha e muitos RMB na minha carteira ainda intocados. E não, você não vai achar nada assim no Silk Market. Tem que perguntar aos amigos que vivem em Pequim, são segredinhos que só os beijingners conhecem. Logo, deixa de ser anti-social e comece a puxar papo por aí. 😉

Se você não é comissário de bordo ou não estiver em uma businness trip, recomendaria que usasse esse dia para conhecer a muralha. É bem bacana e estou devendo esse passeio a minha mãe, já que levei a turca pra China em janeiro e enfrentamos deliciosas nevascas e temperaturas siberianas. Ou seja, uma viagem totalmente FAIL onde passamos a maior parte do tempo no apartamento do meu amigo Bê assistindo a óperas chinesas ou enfiadas em shopping centres, afinal, somos paulistas e tem horas que a genética berra.

Se planeja ir a muralha, visite o blog da Aline e planeje accordingly. A guria é craque, aliás, faça-se um belo favor e adicione esse blog aos seus favoritos. A guria tem um olhar crítico muito bom e todo aquele jeitinho especial que apenas os bons agentes de viagem têm. Sem falar que ela é minha coleguinha, muito amor no coração.

Depois de colocarmos muita conversa em dia, a namorada russa do meu amigo brasileiro se juntou a nós e já emendamos um jantar. Sim, passamos boas horas no Starbucks tagarelando e tomando expresso. Eu e Bê praticamente nos estapeamos para ver quem consegue falar mais e uma boa dose de cafeína nos deixou insuportavelmente mais verborrágicos. Seguimos quicando para o restaurante russo, para a alegria da siberiana.

Foi a minha primeira vez em um estabelecimento tipicamente russo, mas já tinha idéia do que viria: batata, carne, alguma coisa com sour cream e um sono matador após um jantar leve como um cargueiro. E foi justamente isso que botamos em nossas pancinhas: batata, carne, sour cream e cerveja.

Eu, como sempre, estava louca para foguetear por aí em alguma balada. Mas a neve chegou e as temperaturas despencaram. A vontade de fazer hop-on / hop-off pelos bares da San Li Tun sumiram e me contentei com o Malibu+Sprite+suco de abacaxi do bar do hotel enquanto víamos a cidade embranquecendo lá fora. E na mesa ao lado estavam dois amigos portugueses que operavam o vôo do Airbus 380 no qual eu voltaria no dia seguinte. Defina felicidade?

Domingo

Como acordei na hora do almoço, já arrumei as malas e deixei tudo pronto para sair ao aeroporto mais tarde.  A cidade ainda estava bem branquinha e almocei no tailandês  “Serve the People” (em frente a embaixada da Espanha). Tom Kha (sopa de galangal, frango, erva-cidreira) é um dos meus dez pratos favoritos na vida e tem uma pimentinha endiabrada. Bom para acelerar o metabolismo e limpar as vias respiratórias.

E nada melhor do que um café após o almoço. Seguimos para o fofíssimo Café Zarah – café de verdade (sorry, Bê, mas Starbucks é FAIL), guloseimas, boa seleção de música lounge e uma surpresa incrível na janela do banheiro: quando entrei ouvi uma coleção de miados. Olhei para janela e cinco gatos persas LINDOS me observavam e miavam. Tive vontade de abrir a janela e colocar todos para dentro. Bati de leve no vidro e eles colocavam as patinhas ao encontro dos meus dedos. Miavam muito e brincavam . Tentei tirar uma foto, mas a iluminação não ajudou. 😦

E o melhor de tudo foi a sinceridade do estabelecimento:

Porque vamos combinar… Nada pior do que estar louca de vontade de fazer xixi, abrir a tampa do vaso e encontrar uma alcione de bolsinha, né? Excuse my pajubá.

Como o Café Zarah está na Dongdajie próxima a Nanguoluxian, ficamos por ali. Essa área é muito bonitinha, tem restaurantes, cafés, bares e lojinhas muito simpáticas. Sempre que vou a Pequim não deixo de passar por ali, dá pra achar presentes incríveis sem ter que colocar os pés no xexelento Silk Market – odeio, odeio, odeio. Gosto de ver a tarde cair por ali e adivinhe como passamos nossa tarde de domingo, né?

Como meu vôo seria as 23h05 no Airbus 380, passei na San Li Tun no final da tarde para buscar alguns DVDs – Big Bang Theory e Four Lions – e seguimos para o aeroporto. Fiz check in e fomos ao tailandês do terminal 3 petiscar alguns quitutes e tomar cerveja até a hora do embarque. E lá fui eu com meu bouquet de lírios e casaco Calvin Klein “desviado”. 😦 Muito triste, afinal, noites de domingo em Pequim são tão deprimentes como noites de domingo em qualquer outro lugar do mundo.

Já embarcada consegui uma fileira de quatro onde consegui dormir seis horas ininterruptas, na econômica. As outras duas horas nas quais fiquei acordada posso dizer que estava bem confortável: o assento é realmente mais largo, a variedade do sistema de entretenimento é incrível. Comi meu jantar ouvindo John Coltrane e tomando tônica com gin, acordei ouvindo Gilberto Gil tomando café com leite e uma caixinha de Godiva, mimo que meu amigo português me trouxe da executiva. A chefe de equipe foi muito atenciosa, todos os comissários me trataram muito bem. Deprezinha de domingo totalmente curada, ainda tive a sorte de encontrar minha flatmate acordada quando cheguei em casa – meio bêuba e engraçadíssima.

Minha escala segue com um Jidá (um bate-e-volta na Arábia Maldita), tenho mais um Pequim (onde me jogarei na Bookworm, já que durante a semana meus amigos trabalham) e, por último, a cereja do meu sorvete: HONG KONG! Dá pra ser triste assim?

E tem gente que ainda tem coragem de me dizer que tenho que procurar um “emprego de verdade”. 🙂

Beijos-me-liga-em-Hong-Kong.

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Arquivado em China, Pequim

boa segunda-feira

Happy Valentine’s Day procês e muita energia para a semana cheia de alegrias. A minha tem uma Arábia Maldita no meio, gostosa como uma apendicite. Mas, mesmo assim, sigamos com energia e Jesus no coração. Bora recomeçar regime, bora voltar pra academia, bora trabalhar pra fazer dinheirinho e deixar a pobreza de lado. Porque quem curte pobreza é ONG, beijos.

P.S.: COMI PRA CARALHO NO FINAL DE SEMANA, PORRA! 😦

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