Arquivo do mês: maio 2011

ursinhos e bolinhos, Londres e Seul, Sinhozinho Malta e Viúva Porcina.

O sentimento mais estranho que tenho entre vôos que são muito próximos (cheguei ontem de Londres, saio hoje de noite para Seul) é a perda total de noção de tempo. No total foram serão umas 40 horas em cada entre um duty e outro. E parece que dormi apenas umas 12 em pequenas porções ao longo desse dia / noite / dia / comecinho de noite. Estou no final do meu ciclo menstrual, com resíduos de uma gripe que me derrubou e sinto os efeitos da anemia (quem menstrua fica anêmica, vejam só que crueldade é ser mulher): vontade de dormir mais umas 20 horas e encher o loló de açúcar.

Achava que iria pra Bangkok, mas errei ao consultar minha agenda. Nessas poucas horas que passei acordada não respondi e-mails e cultivei uma preguiça incrível: ela agora está gorda e letárgica. Estou com uma votade master de ingerir açúcares e abrir um ovo de páscoa que minha mãe me deu com o desespero de um pobre que vê um caminhão de Coca-Cola tombado na rodovia.

Amigos, me desculpem mas estou um tanto introspectiva. E-mails eu responderei quando chegar. Nesses dias de inexistência estou aqui comendo meu delivery de comida tailandesa e assistindo Roque Santeiro. E não, não estou reclamando. Só constato que esse meu jeitinho ermitão está virando trend em minha vida – pelo menos no período curto entre dois vôos.

Deixo uma linda imagem de cupcake de ursinhos na praia pra vocês. Vejam só que coisa fofa e literalmente açucarada. Pra aprender a fazer essa tosquice meiga, cliquem aqui.

beijos,

Neusa.

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o time de críquete do Afeganistão

Um dos discursos que mais me aporrinham na vida é aquele que defende que seres humanos privados de oportunidades não terão chances na vida. Pra mim esse papo é mais do que furado já que (1) muita gente COM acesso a educação desperdiça todas essas tais oportunidades e se tornam zé ruelas e (2) muita gente que nasceu paupérrima correu atrás de seus sonhos e se tornaram profissionais incríveis.

Sobre o primeiro caso penso nos idiotas da minha família que ficaram pobres porque achavam que pessoas tão foda da alta sociedade como eles jamais deveriam trabalhar para manter o alto padrão de vida, gente burra que achava que dinheiro caía do céu. E quando a fonte secou… Vôo non-stop da Pindaíba Airlines pro fundo do poço.

Já sobre o segundo caso conheço vários casos – muitos deles amigos meus. Advogado, médico, piloto, diplomata, jornalista, jogador de tênis e, até mesmo, um amigo meu que é um arquiteto bem sucedido em Lahore. Shakeel saiu do Afeganistão com a roupa do corpo e viveu nos miseráveis campos de refugiados de guerra na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. Hoje é responsável pela decoração de vários empreendimentos paquistaneses pelo mundo – tal como uma cadeia hoteleira e uma loja de departamentos.

E não é diferente a história do time afegão de críquete. Assisti ao documentário “Out of the Ashes” no sistema de entretenimento do avião e me emocionei com o esforço do técnico Taj Malik, do capitão Mangal e de seus jogadores. Foi esse o time que levou o Afeganistão ao seleto grupo de países que participam dos grandes torneios internacionais ao lado do Paquistão, da Austrália e da Índia.

Não deixando de lado que muitos treinavam sob um calor de até cinquënta graus, muitas vezes usando roupas e barbas longas para driblar o regime Taliban que considera esporte uma coisa do capiroto. Alguns desses jogadores eram como Shakeel: refugiados afegãos que deixaram suas casas fugindo dos soviéticos, dos talibans, dos estadunidenses e da miséria extrema.

Não sei como fazer para assistir caso o cineclube mais próximo de sua residência não esteja exibindo o documentário. Sugiro o bom ou velho torrent. Ou para quem viajar de Emirates Airlines, basta digitar 1120 no sistema de entretenimento, colocar seu assento na posição vertical e degustar uma deliciosa papinha de avião enquanto viaja a Kabul em uma história fantástica.

Cotação: quatro quibes e meio. O gatinho da história foi tirado do time no final. Meh.

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feliz dia das mães!

Muita gente acha que eu tenho uma puta vida bacana (e é verdade, não tenho falsa modéstia em admitir): um bom emprego, viagens, uma situação financeira confortável, amigos queridos, um companheiro leal e os cachorros mais lindos do mundo. Se isso me transforma em patricinha fútil, problema é de quem me julga. A verdade é que só consegui alcançar minha felicidade plena porque meu porto-seguro é muito forte. Foram os ensinamentos, o carinho e as doses cavalares de bom-senso que minha mãe me deu que me fizeram assim. Sou bonita, alta, inteligente, tenho um senso de humor do cacete e tudo o que eu quis eu consegui. Mérito meu? Diria que 90% foi tudo o que a Dona Ana Maria carinhosamente investiu em mim ao longo desses 28 anos (e corpinho de 25).

Quantas vezes você já não ouviu sua mãe perguntar “nossa, essa fulana não tem mãe, não?” se referindo a uma amiga sua fora da casinha? E que depois de um tempo e um certo distanciamento você percebeu que ela estava certa?

E aqui estou: na minha casa em São Paulo, jogada no sofá com meus cachorros ao lado da minha mãe tomando chá com biscoitinhos tailandeses e assistindo Santox x Corinthians na final. Olho para tudo isso que me rodeia me sinto feliz, em paz. Ignoro todo o caos que me rodeia no barulho insuportável do jogo de futebol, os latidos do labrador obeso e os gritos da minha mãe para que o bichón frisé deixe o cão velhinho em paz. É nessa bagunça que fizemos a nossa paz.

Um feliz dia das mães para todas as madres do mundo. E um abraço bem forte em todas as filhas que, assim como eu, aprenderam a ser mulheres fortes.

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deselegante

Achei horrível esse post da Glória Kalil. Para alguém que se diz super elegante acho que expor a foto de uma pessoa com sobrepeso para dizer como é feio ser gordo é jogar a reputação no lixo. Que coisa feia, senhora! Tal como minhas amigues de formspring te desejo uma tireóide bem cagada para você ver o que é engordar e virar motivo de troça.

Obesidade é doença, não se esconde com tecidos diferentes ou azuis e pretos. Que ataque desnecessário. Faça um simples exercício de empatia e pense se você gostaria de ter seu quadril exposto em um site público para ataques maldosos.

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mimimi

Deveria estar operando o vôo de volta a Dubai. Mas estou aqui no hotel. Sem voz e com ouvidos bloqueados e cuspindo fogo (ou seria muco, mesmo?). Vou perder meu vôo pra São Paulo e, consequentemente, dois dias de férias. Com isso somo mais de 100 dólares que gastei em remédio na manhã anterior ao vôo que comprei para tentar melhorar e operar o vôo de volta.

Parece ser muito legal ficar mais uns dois dias em Nova York. Com saúde, talvez. Sem ela fico confinada a um quarto em um dos piores hotéis do mundo. Pra começar as camareiras mexicanas conversam enquanto trabalham. Se uma delas está no quarto 201 e a outra no 202, como você acha que se comunicam? Sim, berrando. Tive que botar meu portunhol em prática e implorar para que baixassem o volume. Afinal, hotel não é bailão  de reggaetón e estou aqui para descansar antes de trabalhar.

A segunda coisa que me irrita master blaster nesse pardieiro é que estamos na Sétima Avenida: muito barulho. Ontem mesmo teve uma bandinha de rua tocando gaitas de fole as nove da manhã. Gaita de fole e um bode urrando, pra mim, são a mesma coisa. Aquela nota constante e aquele som rasgado são agradáveis como gente que toca apito.

A televisão do meu quarto não liga. Mandaram gente pra consertar e nada foi feito. Não há quarto extra disponível. Tenho que me contentar com meu laptop e essa internet lenta. Aliás… Internet lenta. Num hotel cinco estrelas isso é inaceitável.

Mas nada supera a cultura da gorjeta. A regra diz que tenho que dar 15% para quem me entrega o room service se não houver taxa de serviço já adicionada na conta. A questão é: ela está lá. E o mexicano me olha dos pés a cabeça esperando um trocado a cada bandeja.

Não sou uma pessoa pão dura. O que pega é que discordo totalmente dessa prática quando o serviço não é espetacular. Se o salário do fulano é ruim, seria pior estar no México passando perrengue – ou não teria se mudado pros E. U. da A. Entregaria uns 3 dólares pra ele com o coração feliz se ele tivesse sido muito gentil ou cortês. Mas não foi, esperou as notas de 1 dólar como se isso fosse minha obrigação. É por isso que gosto da Ásia. Lá essa putaria não existe. E é lá onde sempre arredondo pra cima as corridas de taxi quando os motoristas são gentis. Outro dia paguei o dobro da corrida em Bangkok porque o taxista ajudou com minhas sacolas e ainda perguntou qual seria minha rota favorita sem dar rolês desnecessários pela cidade.

E pra coroar toda essa experiência divina: os vôos para São Paulo estão lotados a partir do dia 5. Muito provável que eu vá via Joanesburgo. Porque na minha última encarnação meu nome era Elizabeth Bathory, certeza.

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