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verão pequinês

Uma tarde em Nan Luo Gu Xiang (南 锣 鼓 巷), um dos meus lugares favoritos em Pequim.

 

 

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Arquivado em China, Pequim

na tela da tevê, no meio desse povo…

A gente vai se ver numa churrascaria brasileira em Pequim? Eu passo. Estive na Latin Grillhouse e tenho que dizer uma coisa: eles tentam. Imagino a difícil logística para manter um rodízio de carnes num país tão, er, chinês. Onde a carne bovina me dá engulhos – sempre dura, sempre com gosto de sebo (mesmo em restaurantes tops, mesmo no room service do hotel e, oi, fico sempre no Radisson, ou seja, não é uma biboca qualquer). Mas sim, eles tentam e digo que o esforço é louvável. Mas não, não volto lá.

Vou numerar aqui minhas razões:

1. O staff é bom. O serviço é simpático, os chineses vestidos de gaúcho são hilários e cortam a carne direitinho. Mas a carne deixa a desejar não pela competência da cozinha, mas pela qualidade da carne chinesa. O filé com alho foi o que mais me agradou. Mas, mesmo assim, eu passo. Só vou se estiver muito homesick, afinal, se estou na Ásia e GOSTO de comida dessa parte do mundo não será aqui que vou ter meus cravings de comida brasileira. Melhor ter esse momento na Austrália, onde a carne é bowwwwaaaa.

2. Música ao vivo. Sambão. A banda é boa. Mas esse entretenimento para gringo ver realmente me deixa um pouco envergonhada quando eles chegam na minha mesa com os chocalhos e maracas olhando pra mim e dizendo “samba, Brasil”. Vamos explicar: nunca fui aquela guriazinha metida a amiga do povão que vai no forró na sexta e no sambão no domingo. Minha mãe me criou ouvindo rock, minha avó me colocou nas aulas de piano clássico quando eu tinha oito anos. Não sei sambar, não tenho ginga e apesar de gostar muito de bossa nova e algumas batidas de samba… Não vou levantar da minha mesa e fazer a mulata Globeleza. Mas é isso que meus compatriotas de banda esperam, é isso que meus amigos alemães estão loucos pra ver. E é isso que me tira o apetite desde que estou no taxi suando frio pensando no momento. Porque quando vou tomar cerveja e comer linguiça com a gangue chucrute não espero que ninguém vista o lederhosen.

3. O arroz que acompanha a feijoada é steamed rice.

Estou procurando outro local em Pequim que sirva um menu brasileiro mas sem todo o entourage, afinal, quero sentar e comer uma feijoada em paz e mostrar minha cultura pros amigos sem cagar nos estereótipos. Agora, se você está realmente homesick e quer ignorar a variedade culinária que a capital ofereça, SIJOGA. O surpresa boa foi o vinagrete na mesa. O vina-fucking-grete. 🙂

Anote o endereço (porque o site é horrível):

C1-11 building 1, Solana, No 6. Chaoyang Park Road,
朝阳公园西路六号蓝色港湾商业区1号楼C1-11

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Arquivado em China, coisa de gordo safado, comer, Pequim

48 horas em Pequim

Donzhimen, no centrão pequinês. Muito amor!

E lá fui eu de volta pra Pequim. Passar mais um pedaço de feriado do ano novo chinês com a galere, afinal, a minha turminha é da pesada, vai aprontar todas e deixar a capital chinesa de pernas pro ar. Pousei em Dubai de madrugada como tripulante, voltei para casa correndo, tomei banho, arrumei uma malinha e corri pro aeroporto. 🙂 Weehee!

Não fui de Airbus 380, infelizmente. Mas o 340-500 é bem chuchu beleza e, vejam só a cabine privativa da primeira classe (glorifica de pé, Igreja). Amygues, controlem a inveja. 😉

Essa é a minha fanfreluche favorita na primeira classe: o kit com dois pozinhos aromaterápicos de pirlimpimpim. Um para cheirar antes de dormir e relaxar, outro para quando despertar e dar um up – não, amygues, não é aquele lá, isso não é primeira classe de Morro do Alemão Arlines.

Pousamos em Pequim as 22h20 e saí correndo como uma maluca para não enfrentar filas numerosas de numerosos chineses. Mas não resisti: parei na bridge para tirar foto do meu nenezão.

Ele não é lyeeendo? Ele não é gordjeenho? Mal aê pelo reflexo, não deu muito tempo para ajeitar a foto. Aproveitem o reflexo para ver se meu cabelo é RUNHO, se meu nariz é batata etc.

🙂

Pensem numa libanesa pelo longo e liso correndo pelo terminal com sua malinha de bordo e casaquinho vermelho, arrancando a mala cor de rosa da esteira (eu sei, é cafona, mas uso mala rosa-choque para poder vê-la de longe, já vi muito caso de neguinho tendo mala roubada ou levada por engano – de nada pela dica) e sumindo pela porta de desembarque. Lá fora fui recebida pelos amigos e ainda ganhei um bouquet de lírios como boas vindas – como não amar?

Fiz check-in no Radisson Blu: está em Chaoyang, próximo a San Li Tun e outras áreas de meu interesse, tenho desconto e a internet é gratuita. Além disso estou SEMPRE voando para Pequim, logo, o staff do hotel já me conhece e me tratam muito bem. Por outro lado a comida no hotel é horrível. Mas comer em hotel em Pequim… Hello-oooo?

Tomei um banho rápido e saímos para jantar em Dongzhimen, onde escolhemos um restaurante já conhecido da galere. Pedi uma cerveja e comecei a folhear o menu: carne de tartaruga, coelho, burro… Jurei que se encontrasse cachorro levantaria dali. O cardápio estava recheado de fotos que eram divididas pelo tipo de culinária (cantonesa, Sichuan) e fui direto aos frutos do mar para evitar surpresas.

Mas essa bichinha aí com uma gema de ovo no casco me fez querer morrer. 😦 (agora que vi que é um chilli, putz, miopia mandou um alô)

E os gafanhotos aperitivos realmente não abriram meu apetite.

Isso é uma coisa muito curiosa que já vi em vários restaurantes pequineses: pratinhos embalados no plástico. Para dar uma certa sensação de higiene. Sim, claro. É que a câmera não capturou as manchas de gordura na toalha. 🙂 Bem, se estamos no inferno… Abracemos o capeta. Abracemos, beijemos na boca, mãozinha na perninha.

Espinafre refogado no alho e gergelim para começar a noite. Muito saboroso! Não sei que diabos são essas coisinhas vermelhinhas. Arrisquei “rinzinho de ratinho sequinho” e a galere quase me bateu. Esses alemães tem um senso se humor meio seco, né? Mas na verdade aquilo é uma frutinha seca e, lhes juro, só experimentei porque já tinha sorvido uma garrafa inteira de cerveja.

E meu prato principal: camarões na chapa com muita pimenta, nham nham! Quanto custaria um prato desses no Brasil? Aqui custou 58 dinheirinhos locais, ou seja, menos de 15 reais. 🙂 E estavam deliciosos.

Como vocês podem imaginar: cerveja + fartura de comida = sono pesado. Não aguentei a proposta de baladinha no ótimo Yue Club – um lugar bonitinho com estrangeiros lindos, cerveja boa e música eletrônica de primeiríssima qualidade. Ficadica, amygues.

Sábado

Como estava em Pequim para aproveitar minha folga, não me dei o trabalho de sair da cama cedo. Perdi o café da manhã do hotel (não estava incluso no preço e acho ruim) e segui para o Starbucks (era o que tinha) para o café matinal, ali no pequeno Shopping Centre, o Rainbow. O engraçado é que um café e um bolinho naquele lixo custaram a mesma coisa que meu prato principal no jantar. Enquanto um amigo se esforçava para que meus músculos faciais esboçacem algum sorriso em meu rosto – sim, eu sou um MONSTRO mal-humorado antes da cafeína diária – meu amigo brasileiro estava dirigindo ao nosso encontro para aumentar o time. E adivinhe onde fomos? Ao lugar favorito do Bê em Pequim: Starbucks. Ouch!

Passamos o dia conversando e dando risada, afinal, esse era mesmo o objetivo da minha viagem: descansar e me divertir ao lado de amigos. Poderia ter feito isso em Dubai? Talvez. Mas como sou rica, riiiicaaaaa tenho benefícios de passagem e descontos incríveis, aproveito para rodar por aí e me divertir muito. Foi um tratamento e tanto para a alma e deixou meu coração muito quentinho – o que é muito importante para quem vive longe da família e me custou menos do que um mês de terapia.

A alegria do dia foi a visita a uma loja de roupas que faz coisas que papai do céu não gosta, mas que eu ADORO. Como muitas grifes tem fábricas na China, parte da produção que deveria ser exportada é marromeno desviada de seu destino final e vendidas a preço de custo por aqui. O mais engraçado é que elas são vendidas com a etiqueta de grife, já com o preço em euros ou dólares americanos. E dentro, uma etiqueta com o valor em RMB, a moeda chinesa. Arrematei um casaco de inverno pesado da Calvin Klein Jeans por 100 reais. E na etiqueta: 600 euros. As amizades também saíram grifadas mas com a carteira ainda cheia, uhul.

E sim, isso é feio e se chama mercado negro. Mas tenho uma jaqueta de inverno quentinha e muitos RMB na minha carteira ainda intocados. E não, você não vai achar nada assim no Silk Market. Tem que perguntar aos amigos que vivem em Pequim, são segredinhos que só os beijingners conhecem. Logo, deixa de ser anti-social e comece a puxar papo por aí. 😉

Se você não é comissário de bordo ou não estiver em uma businness trip, recomendaria que usasse esse dia para conhecer a muralha. É bem bacana e estou devendo esse passeio a minha mãe, já que levei a turca pra China em janeiro e enfrentamos deliciosas nevascas e temperaturas siberianas. Ou seja, uma viagem totalmente FAIL onde passamos a maior parte do tempo no apartamento do meu amigo Bê assistindo a óperas chinesas ou enfiadas em shopping centres, afinal, somos paulistas e tem horas que a genética berra.

Se planeja ir a muralha, visite o blog da Aline e planeje accordingly. A guria é craque, aliás, faça-se um belo favor e adicione esse blog aos seus favoritos. A guria tem um olhar crítico muito bom e todo aquele jeitinho especial que apenas os bons agentes de viagem têm. Sem falar que ela é minha coleguinha, muito amor no coração.

Depois de colocarmos muita conversa em dia, a namorada russa do meu amigo brasileiro se juntou a nós e já emendamos um jantar. Sim, passamos boas horas no Starbucks tagarelando e tomando expresso. Eu e Bê praticamente nos estapeamos para ver quem consegue falar mais e uma boa dose de cafeína nos deixou insuportavelmente mais verborrágicos. Seguimos quicando para o restaurante russo, para a alegria da siberiana.

Foi a minha primeira vez em um estabelecimento tipicamente russo, mas já tinha idéia do que viria: batata, carne, alguma coisa com sour cream e um sono matador após um jantar leve como um cargueiro. E foi justamente isso que botamos em nossas pancinhas: batata, carne, sour cream e cerveja.

Eu, como sempre, estava louca para foguetear por aí em alguma balada. Mas a neve chegou e as temperaturas despencaram. A vontade de fazer hop-on / hop-off pelos bares da San Li Tun sumiram e me contentei com o Malibu+Sprite+suco de abacaxi do bar do hotel enquanto víamos a cidade embranquecendo lá fora. E na mesa ao lado estavam dois amigos portugueses que operavam o vôo do Airbus 380 no qual eu voltaria no dia seguinte. Defina felicidade?

Domingo

Como acordei na hora do almoço, já arrumei as malas e deixei tudo pronto para sair ao aeroporto mais tarde.  A cidade ainda estava bem branquinha e almocei no tailandês  “Serve the People” (em frente a embaixada da Espanha). Tom Kha (sopa de galangal, frango, erva-cidreira) é um dos meus dez pratos favoritos na vida e tem uma pimentinha endiabrada. Bom para acelerar o metabolismo e limpar as vias respiratórias.

E nada melhor do que um café após o almoço. Seguimos para o fofíssimo Café Zarah – café de verdade (sorry, Bê, mas Starbucks é FAIL), guloseimas, boa seleção de música lounge e uma surpresa incrível na janela do banheiro: quando entrei ouvi uma coleção de miados. Olhei para janela e cinco gatos persas LINDOS me observavam e miavam. Tive vontade de abrir a janela e colocar todos para dentro. Bati de leve no vidro e eles colocavam as patinhas ao encontro dos meus dedos. Miavam muito e brincavam . Tentei tirar uma foto, mas a iluminação não ajudou. 😦

E o melhor de tudo foi a sinceridade do estabelecimento:

Porque vamos combinar… Nada pior do que estar louca de vontade de fazer xixi, abrir a tampa do vaso e encontrar uma alcione de bolsinha, né? Excuse my pajubá.

Como o Café Zarah está na Dongdajie próxima a Nanguoluxian, ficamos por ali. Essa área é muito bonitinha, tem restaurantes, cafés, bares e lojinhas muito simpáticas. Sempre que vou a Pequim não deixo de passar por ali, dá pra achar presentes incríveis sem ter que colocar os pés no xexelento Silk Market – odeio, odeio, odeio. Gosto de ver a tarde cair por ali e adivinhe como passamos nossa tarde de domingo, né?

Como meu vôo seria as 23h05 no Airbus 380, passei na San Li Tun no final da tarde para buscar alguns DVDs – Big Bang Theory e Four Lions – e seguimos para o aeroporto. Fiz check in e fomos ao tailandês do terminal 3 petiscar alguns quitutes e tomar cerveja até a hora do embarque. E lá fui eu com meu bouquet de lírios e casaco Calvin Klein “desviado”. 😦 Muito triste, afinal, noites de domingo em Pequim são tão deprimentes como noites de domingo em qualquer outro lugar do mundo.

Já embarcada consegui uma fileira de quatro onde consegui dormir seis horas ininterruptas, na econômica. As outras duas horas nas quais fiquei acordada posso dizer que estava bem confortável: o assento é realmente mais largo, a variedade do sistema de entretenimento é incrível. Comi meu jantar ouvindo John Coltrane e tomando tônica com gin, acordei ouvindo Gilberto Gil tomando café com leite e uma caixinha de Godiva, mimo que meu amigo português me trouxe da executiva. A chefe de equipe foi muito atenciosa, todos os comissários me trataram muito bem. Deprezinha de domingo totalmente curada, ainda tive a sorte de encontrar minha flatmate acordada quando cheguei em casa – meio bêuba e engraçadíssima.

Minha escala segue com um Jidá (um bate-e-volta na Arábia Maldita), tenho mais um Pequim (onde me jogarei na Bookworm, já que durante a semana meus amigos trabalham) e, por último, a cereja do meu sorvete: HONG KONG! Dá pra ser triste assim?

E tem gente que ainda tem coragem de me dizer que tenho que procurar um “emprego de verdade”. 🙂

Beijos-me-liga-em-Hong-Kong.

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neve!

Estou em Pequim, pra variar. Saímos para jantar em companhia de alguns amigos alemães do moço e por algum acaso caí no restaurante Little Sheep, muito famoso por seus hot pots (vejam o post rykoh no blog rykoh da Vivi, meu novo blog favorito forévis). A coincidência maior é que estava lendo os arquivos do blog da moça procurando por Hong Kong agora de tarde e pensei “nossa, esse lugar é familiar”.  Já tinha comido hot pot em (pasme) São Paulo, num restaurante cantonês bem true lá na Rua dos Estudantes que achei depois de procurar muito. Muito! Confesso que hot pot não é meu prato favorito – e olha que sou viciada em culinária asiática a ponto de achar a italiana e a libanesa bo-ring, já que eram as minhas comidas de almoço em família no final de semana.

Hot pot é aquilo ali que a Vivi mostrou (cliquem, invejosas) e não caí de amores… As carnes são bizarras: são fatias de alguma coisa prensada feita com carne bovina ou frango. Na hora achei meio inhéca mas fechei os olhos, mergulhei no shabu-shabu e fui pra galera. O gosto era bom, nada sensacional. Você vai comendo aos pouquinhos e no final da noite está explodindo com tanta comida. Tirei o aventalzinho que nos foi entregue para que não babássemos – a comida é super messy – e fiquei ali digerindo, divagando, baleiando enquanto a galera mandava ver no alemão e eu só pescava uma palavra ou outra.

E eu que achava que as temperaturas estavam esquentando em Pequim acabei sofrendo com meu casaco da Desigual que não serve para neve. Ainda estava com uma calça skinny e ankle boot, ou seja, estava congelando enquanto esperávamos por um taxi.

Então vi um floquinho de neve pairando sobre meu casaco. E outro. E outro. A neve começou, voltamos para o hotel e ficamos tomando gin com tônica no lobby enquanto a cidade ficava branca lá fora – e nós bem quentinhos lá dentro.

Hoje de manhã (ops, de tarde, caí na cama depois das quatro da manhã e me levantei agora, apenas) abri as cortinas e tudo está branquinho lá fora como mostra a foto – e sim, eu sei, a vista é horrível mas quem disse que Pequim é uma cidade bonita?

Vou voltar pra cama porque o hot pot de ontem me caiu meio que em diagonal, meu estômago não está muito feliz. E gente, porque meu Blackberry surta aqui na China? Ele cria vida própria, desliga sozinho, vibra… Será que o frio estragou? 😦

Como diriam as coreanas: onhóóóimmm!

(‘oh no’ em inglês miguxento)

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Enquanto estou em Pequim…

Hoje saio para Pequim. Volto, recebo amigos em Dubai e volto pra capital chinesa. Pequim, Pequim, Pequim. Enquanto isso deixo tres blogs deliciosos para voces:

– Travelzine – da querida Aline que conheci tao por acaso na fila do raio X no aeroporto de Dubai quando sairiamos para voos. Ela tem posts incriveis sobre Dubai, A380 e Pequim. Se planeja uma viagem a capital chinesa, veja o post sobre a muralha.

Am in Asia Now – um casal que percorreu a Asia por um ano. Delicioso, so nao li inteirinho para nao acabar. 🙂

Dubai Guzzler – blog para gordinhos safados que querem comer bem em Dubai e outras partes do mundo. Para viajar na poltrona de casa. E passar fome.

再见!

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O que vem de baixo não me atinge. Mas o que vem de cima, quase…

Estou em Pequim (hah, ainda sem internet no novo apartamento e a wi fi aqui é de graça) curtindo Facebook bloqueado, Youtube cagado, Google censurado. Pra variar dei uma corridinha básica ao Carrefour para comprar água e outros badulaques com o dinheirinho da diária. E estava fazendo a farra do boi na seção de papelaria quando um funcionário do Carrefour subiu numa escadinha para organizar uma prateleira e simplesmente escarrou. E-a-me-le-ca-caiu-a-pou-cos-cen-tí-me-tros-de-mim. Puta que o pariu. [vejam a minha dificuldade em separar sílabas, sei lá Deus se “caiu” é tritongo ou hiato em alguma das partes]
Saí dali morrendo de nojo mas ainda feliz com minha calculadora branca cheia de bolinhas vermelhas da Minnie Mouse (ah, vá, três reá) e canetinha miguxa e FUI ATROPELADA POR UMA BICICLETA.
Pára tudo.
Já fui atropelada por bicicleta em Peshawar e um italiano cafona enfiou o pneu (escrevi “peneu”, hahaha, mas o corretor ortográfico do Mac me gongou e Camões mandou beijos) na minha bunda em Florença. Mas ser atropelada por uma bicicleta dentro do Carrefour em Pequim realmente bateu meu próprio recorde em Mocoronguice Avançada categoria Olímpica. Sifudê.
FIM.
E pá, desculpaê pela falta de posts, ausência no Facebook, e-mails não respondidos. A mudança foi fodz.

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Carrefour em Pequim

Não consigo pensar em experiência mais particular e nauseabunda do que uma visita a esse supermercado aqui do lado do meu hotel. Nada contra a marca Carrefour, vejam bem: sou fã aqui em Dubai, onde quase sempre compro produtos da marca da casa porque o achocolatado é muito gostoso e a padaria deles é a melhor da cidade. O que pega é que a experiência em um supermercado popular chinês não é uma das mais agradáveis do mundo.

Começo pela entrada, onde o banheiro público exala seu odor ao lado do estacionamento de bicicletas – justamente ao lado da entrada do meu hotel. Um pouco mais a frente uma mãe segura seu bebê com a parte de baixo de seu corpinho desnuda. E a criança se alivia sobre a lata de lixo. E não tô falando só de número um.

rápido, barato e mal-feito

Sigo direto para o piso superior. Preciso comprar uma calculadora com números grandes para administrar meu rico dinheirinho. Encontro uma por RMB 19 (menos de cinco reais) e de brinde ganho uma caneta e um marca-texto. Quando cheguei no hotel, lógico: a calculadora não funciona porque está sem uma das duas baterias. Penso “ok, estou na China, o que mais poderia dar errado?”.

Sigo passeando pelas seções de eletrodomésticos, utilidades de cozinha, roupas, calcinhas e chego a seção de plantas e animais. É de chorar: peixes beta em minúsculos aquários, tartaruguinhas de água em copinhos minúsculos de plástico com pedrinhas e um pouco de água. E uma espécie de anfíbio horroroso num pequeno potinho. Tudo isso amontoado na bagunça do meio da manhã que reina naquele supermercado superpopuloso. Dá vontade de chorar e me questiono como a marca Carrefour permite esse crime contra animais em um de seus estabelecimentos.

come-se tudo o que tem perna e não é mesa, come-se tudo o que voa e não é avião

Desço revoltada para o piso térreo para comprar minhas verduras e arredar o pé dali. A única coisa que gostei foi que as alfaces e as outras verduras asiáticas que tanto gosto já vêm embaladinhas em porções pequenas. Ok, é desperdício de plástico yadda yadda yadda. Mas nas condições reais de higiene do local acho que agradeço por não ter que escolher um pezinho de alface onde espero que aquela mãe que segurava a criancinha cagona não estivesse espalhado seus coliformes. Agora, se o Chen que embalou meus bok choi deu aquela coçada no toba enquanto empacotava tudinho, bem… Ignorância, ás vezes, é uma virtude. Vou enfiar tudo no hidrosteril por meia hora antes de comer, mesmo.

Tento me aproximar do açougue. Mas o bouquet de odores de órgãos defumados, peixe e sebo me afastam. Mesmo assim consigo visualizar coisas tão agradáveis como tripas de pato, pés de galinha, carcaças defumadas de alguma ave que desconheço, bichos da seda e por aí vai. Vegetarianismo, pra mim, nunca fez tanto sentido.

pezinho de galinha defumado, hmmmm :/

Quase tão horroroso como tudo isso é ver a seção de bolinhos de peixe congelados e kani-kama… aberta! Em um enorme congelador eles estão expostos sem nenhuma proteção para que você os colete com uma grande colher de arroz e enfie-os em um saquinho plástico. Ou seja, se você estiver escolhendo seus bolinhos e kanis e outros produtos congelados e espirrar adivinha só que maravilha!

Estou escolhendo alguns iogurtes quando um senhor indiano faz contato visual comigo e pergunta alegre se sei em que parte da grande geladeira de laticínios ele poderia encontrar manteiga e margarina.

A Índia é quase tão distante do Brasil como a China. Mesmo assim percebo o olhar de cumplicidade desse senhor: somos dois seres estranhos nesse supermercado. É como se tivéssemos aterrissado nossas aeronaves em Plutão. Sinto um momentinho meio “Lost in Translation” de Sofia Coppola. Seguimos com nossas compras em pontos diferentes do supermercado, mas toda vez que cruzamos nossos carrinhos abrimos um sorriso que poderia ser traduzido como “puta que o pareeeo, que bom saber que não estou sozinho nessa indiada!”.

Aliás, vejam que lindas as embalagens de iogurte da marca Yili feitas pela Ogilvy:

Lógico que comprei para experimentar! 🙂 (clica para ampliar e veja só que fofoluchos)

beleza, neusa

Na parte de produtos de beleza uma chinesa tenta me convencer a comprar um creme que desconheço e não tenho idéia para o que sirva. Porque ela está me explicando em chinês. Demonstro não entender, digo em um mandarim tosco que não falo necas desse idioma mas ela segue. Começo a responder em português mas ela insiste. É um diálogo maluco, uma situação tão irreal que passo a apreciar. Começo a cantar em italiano e ela ri. Finalmente coloca o produto no meu carrinho. Desisto desse papo de Patropi. Saio dali com o produto ainda não sabendo se é um creme de pentear, um shampoo nutritivo ou um amaciante de pelos púbicos. Caminho por alguns corredores e abandono a embalagem verde com alguns pepinos desenhados no meio de alguns pacotes de bala decorados para o ano novo chinês.

E o que mais me frustra na Ásia são os produtos da Shiseido com preço de Monange… E legendas em outros alfabetos. Não sei para que diabos serve esse shampoo lindinho e não vou enfiar isso na minha cabeça. Ainda mais sabendo que muita neusa gosta de encrespar o cabelo. Vade retro cabelo crespo!

Bem, vocês já sabem que muitas vezes escolho produtos pela embalagem. E as camisinhas asiáticas tem embalagens lindas. Já sei o que vocês vão me perguntar. E sim, já comprei para ver como são. E sim, são menores. Tive que joga-las fora (ei, não estou querendo me gabar… Ok). Ou seja, colega: se o macho tem um trozobão, não compra camisinha na China. Talvez no Quênia.

fila

Uma coisa que admiro muito aqui na Ásia é o respeito que os mais jovens tem pelos mais velhos. Seguindo essa etiqueta cedi meu lugar na fila a uma senhorinha. Logo em seguida apareceu um outro senhorzinho. E assim formou-se uma fila da terceira idade na minha frente. Quando um terminava de pagar a conta outro velhinho brotava no chão. E assim fiquei 40 minutos na fila do Carrefour. >.<‘

E assim que paguei pelas minhas compras saí satisfeita. A Ásia, pra mim, é como o yakissoba que o ching-ling vende na Avenida Paulista, na frente da Gazeta (e me alimentou por quatro anos de Cásper): é xexelento. Mas eu ADORO!

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Arquivado em China, Pequim, supermercado