Arquivo da categoria: Malásia

requentando: Malásia – As Cavernas de Batu

Continuando o post do dia 8 de fevereiro (Malaysia Boleh!), segui em companhia de Petya (búlgara), Ahmed (egípcio) e Chirag (queniano-indiano) até as cavernas de Batu. Nada sabia sobre o local e imaginei que, segundo a descrição caótica de meu colega hindu de Nairóbi, teríamos alguma experiência espeleológica bem bacana: Estalactites, estalagmites, oi, super sonho. Entrei no taxi meio contrariada, esperando algum programa de cacique. Mas esses três eram tão legais e, por favor, fazer turismo nas torres Petronas não é meu estilo.

Após cerca de 30 minutos e 40 RM (cerca de 20 reais), chegamos aos distrito de Gombak e descemos do carro. Fotografei a primeira imagem que vi:

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Por favor, não chochem a qualidade das fotos. Estava muito quente, muito úmido e o sol, muito forte. Sou muito branca, não suporto ficar exposta ao sol das dez da manhã e tenho pressão MUITO baixa.

Minha sorte é que tive um insight fabuloso: ao invés de vestir jeans com camisa acinturadinha e scarpin vermelho da mesma cor da minha Victor Hugo, pensei: moro em um país tropical abençoado por Deus e SEI que ficarei toda desconfortável com sapatinho e camisa acinturada sob uma umidade terrível. Vai colar no corpo, vou me sentir mal, a pressão vai cair, vou ter que sentar e VOU FAZER DRAMA.

Como estava com a mala pronta para qualquer destino (já que estava em stand by no aeroporto), transformei uma saída de praia em bata (apenas coloquei um alfinete para diminuir o decote, afinal, não estava com roupa de banho embaixo e não queria expor as peitcholas em um país majoritariamente muçulmano). Coloquei uma skinny e peguei minha khussa favorita. Também troquei a bolsa vermelha por uma de tapeçaria árabe que comprei aqui em Dubai e que cabe tudo. Pronto! Libanesa indiana tropical. Deu tão certo que vou comprar pencas de outras saídas de praia – suuuper fresquinhas.

A prova cabal de que estava num clima tropical eram essas lindas bóias de praia:

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Eu queria tanto essa Margarida! Mas lembrei do mico que passei com a Dri Spaca quando o Celso Dossi conseguiu uma bolona tipo a do Quico na barraquinha de argolas lá no CTN, no show da Banda Calypso em dezembro último. Passamos a noite inteira cuidando da bola.

O indiano-queniano, que muito bem já conhece essa libanesa, me olhou de forma repressora. É. As lombrigas estão magoadas até agora. Como passarei o próximo verão SEM ESSA MARGARIDA?

Caminhamos em direção a entrada das cavernas passando por uma coleção de barraquinhas que vendiam desde camisas sociais (!!!), até CDs de Bollywood, cursos de computação (!!!), guirlandas de flores frescas e leite de vaca para que os fiéis praticassem o kavadi: uma vasilha de prata contendo leite bovino para o deus Murugan.

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Paramos para ver esse tio da foto abaixo. Por favor, não entendo NADA de hinduísmo. Logo, me desculpe se não entendi o que se passava. Agradeço se algum leitor me explicar (assim farei um adendo ao post).

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As pessoas acotovelavam-se para tomar o “passe” desse homem. Alguns entravam em transe ali mesmo. Petya, Chirag, Ahmed e eu estávamos embascacados. Só algo me chamou mais a atenção:

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Damn it! Eu quero essa bexiga, bóia, whatever!!!

Continuamos até a entrada da caverna. O que eu não esperava era justamente aquele detalhe no lado esquerdo da foto:

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Degraus. Muitos! Aliás, essa é a imagem do deus Murugan. E que ele me desse forças para subir tudo aquilo.

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O fato é que você começa a sentir a energia do local ali mesmo. São 272 degraus e você não chega lá em cima exausto. Parei apenas uma vez para tomar ar e continuei ao lado de senhoras gordinhas e idosos que subiam animadamente. Quem explica isso? Não subo dois lances de escada no meu prédio sem ter um princípio de ataque cardíaco e, aqui, não senti nenhum desconforto, falta de ar ou exaustão.

Sem falar que os degraus eram estreitos, logo, tive que subir nas pontas dos pés porque meu delicado pezinho número 40 ficava metade para fora. Aliás, antes que alguma bicha pão com ovo choche o tamanho do meu pé, vale lembrar que tenho mais de 1,77m. Logo, antes de dizer que sou pezuda, vá cuidar do seu nanismo.

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Vejam a expressão de felicidade de Ahmed (esquerda, de camiseta preta). Achávamos que morreríamos, mas subimos direitinho.

Ao nosso lado, os fiéis escalavam aquela infinita escada equilibrando sua oferenda de leite de vaca em um potinho de prata. Não vi ninguém derrubando nada!

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Agradeço ao capitalismo pela barraquinha de bebidas ao final da escadaria. Mataria por uma garrafinha de água. Fizemos um pit stop ali para nos hidratar e seguimos entre os fiéis.

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Ali eles se organizavam em pequenos grupos antes de entrar na caverna. Alguns carregavam vasilhas de prata com leite, outros tinham painéis muito pesados presos aos corpos.

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O fato é que chegamos exatamente no dia que antecedia ao festival Thaipusam, que celebra o nascimento do deus Murugan – filho de Shiva e Parvati. Ou seja, o povo já estava no climão – mas sem a parte que reúne 2 milhões de pessoas (ufa!).

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Lá dentro, alguns se dirigiam a uma caverna menor para finalizar suas oferendas. Enquanto outros entravam em transe e, bem, praticavam auto-flagelação. Alguns engoliam pequenos pedaços de carvão em chamas (ai), outros atravessavam lanças e ganchos em diversas partes do corpo – tudo sem uma gota de sangue.

Com sangue ou sem sangue, o fato é que quase desmaiei. Desculpem-me, não estou julgando. Só sei que não agüento nem agulha de injeção, ou seja, isso me fez muito mal e tive que desviar o olhar. Pelo que pude entender, quanto maior o grau de dor, maior o mérito do devoto. O que achei contraditório já que muitos diziam não sentir dor enquanto perfuravam a barriga com argolas de prata.

Uma forma mais light de passar por alguma provação era carregar os tais painéis pesadíssimos sobre o corpo:

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Pelo que vi, nem a criançada escapava. Esse aí não deveria ter mais de 12 anos e, toda vez que alguns fiéis levantavam o painel para que ele mudasse de posição, podia ver as feridas que se formavam em seus ombros.

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Desculpem-me pela sinceridade. Mas quer se furar, se fura. Quer comer fogo, enfiar lança nas costas, beleza. Mas botar a criançada para carregar painel pesado, aí já perco o meu rebolado. Enfim, outra cultura, não posso julgar, então resolvi sair de perto.

Ao meu lado vejo um adolescente tomando um passe. Em seguida desmaia e entra em convulsão. Pensei que fosse epiléptico e já estava pronta para ajudá-lo a não se machucar, mas o Chirag segurou meu braço e disse que aquilo não era epilepsia.

Se não era epilepsia, não sei o que era. Porque o jovem se debatia e babava, podia ver que estava com a língua enrolada. Era uma convulsão sim e alguma coisa (ou forte coincidência) impulsionou esse ataque.

Quando ele começou a se recuperar, outro jovem caiu no chão em transe, mas sem colvulsão. Diria que estava drogadíssimo, mas não o vi ingerir ou inalar nada. Já viram trombadinhas quando estão colocados com crack? Pois era igualzinho.

Testemunhar essas cenas somadas a energia do lugar e ao cheiro de leite azedo me deixaram bem mal. Não é minha religião, desconheço tudo o que ali se passava – o que me deixou ainda mais assustada, afinal, é natural que o ser humano tema o que não conheça. Por favor, não me entendam mal. Não estou julgando. Só sei que era algo completamente inédito para mim.

Quando olhei para a búlgara e a vi mais branca do que eu, puxei-a num canto e decidimos que a coisa mais prudente, naquele instante, seria sair dali.

Continuamos caminhando até uma parte aberta da caverna onde vimos alguns macaquinhos. Ficamos por lá um tempão tirando fotos e dando risada com o que esses bichinhos aprontavam: reviravam lixo (as cavernas estavam cobertas de sacos plásticos e toda sorte de porcaria que os fiéis deixavam para trás), roubavam ítens dos turistas (então tirei meu Prada da cabeça e enfiei na bolsa, huahua), descascavam bananas e as comiam igual a uma pessoa (o que me lembrou da minha avó que fazia beicinho cada vez que dava uma mordida na fruta), fornicavam (muita desinibição) e corriam entre os turistas.

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Petya e eu então tivemos a “brilhante” idéia de nos aproximarmos de um macaquinho tãããão bonitinho para tirarmos uma foto. E quase levamos uma mordida, pois o bicho que parecia tão amigável e doce enquanto nos aproximávamos, de repente, nos mostrou um belo par de caninos. Aí que a turca e a búlgara saíram correndo.

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Quando os meninos finalmente se cansaram de filmar o povo se furando, decidimos ir embora. Era unânime que estávamos sentindo uma energia muito forte. E isso nos deu uma fome daquelas (e nem fodendo que comeríamos alguma coisa por lá, nem tô a fim de aumentar minha coleção de lombrigas).

Se subir foi fácil, descer foi um inferno. Ahmed e eu cagamos de medo de altura e tivemos que descer os 272 degraus de ladinho, segurando no murinho que dividia a escada. Huahua, o que levou uns bons 20 minutos.

Nos entupimos de frutos do mar lá no Shopping Pavillions. E as liqüidações do Charles & Keith fizeram o dia da Petya (e o meu, lógico). Depois passeamos por Bukit, comprei pencas de frutas para trazer para Dubai e, finalmente, nos entregamos a uma uma hora inteirinha de massagem por meros 30 reais. Tá?

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Eu e Petya, recarregadas em Bukit.

É fato que dormir nos ajuda a assimilar novas informações. Pois bem, ao voltar pro hotel, sentei na cama e dormi 5 horas non-stop antes de voar de volta.

Se recomendo o passeio? Com certeza! É imperdível. Se voltaria? Nem fodendo. Uma vez basta. Já fui, já vi, já fui chacoalhada com tanta novidade e, na próxima, vou me restringir às turísticas Petronas. Aliás, tá aí uma foto que tirei delas lá no lobby do hotel. 🙂

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(post requentado, publicado em 8 de fevereiro de 2009)

(obs: voltei pras tais Cavernas em junho do ano passado, numa trip muito menos xexelenta)

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Arquivado em Kuala Lumpur, Malásia

As Cavernas de Batu – Malásia

Continuando o post do dia 8 de fevereiro (Malaysia Boleh!), segui em companhia de Petya (búlgara), Ahmed (egípcio) e Chirag (queniano-indiano) até as cavernas de Batu. Nada sabia sobre o local e imaginei que, segundo a descrição caótica de meu colega hindu de Nairóbi, teríamos alguma experiência espeleológica bem bacana: Estalactites, estalagmites, oi, super sonho. Entrei no taxi meio contrariada, esperando algum programa de cacique. Mas esses três eram tão legais e, por favor, fazer turismo nas torres Petronas não é meu estilo.

Após cerca de 30 minutos e 40 RM (cerca de 20 reais), chegamos aos distrito de Gombak e descemos do carro. Fotografei a primeira imagem que vi:

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Por favor, não chochem a qualidade das fotos. Estava muito quente, muito úmido e o sol, muito forte. Sou muito branca, não suporto ficar exposta ao sol das dez da manhã e tenho pressão MUITO baixa.

Minha sorte é que tive um insight fabuloso: ao invés de vestir jeans com camisa acinturadinha e scarpin vermelho da mesma cor da minha Victor Hugo, pensei: moro em um país tropical abençoado por Deus e SEI que ficarei toda desconfortável com sapatinho e camisa acinturada sob uma umidade terrível. Vai colar no corpo, vou me sentir mal, a pressão vai cair, vou ter que sentar e VOU FAZER DRAMA.

Como estava com a mala pronta para qualquer destino (já que estava em stand by no aeroporto), transformei uma saída de praia em bata (apenas coloquei um alfinete para diminuir o decote, afinal, não estava com roupa de banho embaixo e não queria expor as peitcholas em um país majoritariamente muçulmano). Coloquei uma skinny e peguei minha khussa favorita. Também troquei a bolsa vermelha por uma de tapeçaria árabe que comprei aqui em Dubai e que cabe tudo. Pronto! Libanesa indiana tropical. Deu tão certo que vou comprar pencas de outras saídas de praia – suuuper fresquinhas.

A prova cabal de que estava num clima tropical eram essas lindas bóias de praia:

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Eu queria tanto essa Margarida! Mas lembrei do mico que passei com a Dri Spaca quando o Celso Dossi conseguiu uma bolona tipo a do Quico na barraquinha de argolas lá no CTN, no show da Banda Calypso em dezembro último. Passamos a noite inteira cuidando da bola.

O indiano-queniano, que muito bem já conhece essa libanesa, me olhou de forma repressora. É. As lombrigas estão magoadas até agora. Como passarei o próximo verão SEM ESSA MARGARIDA?

Caminhamos em direção a entrada das cavernas passando por uma coleção de barraquinhas que vendiam desde camisas sociais (!!!), até CDs de Bollywood, cursos de computação (!!!), guirlandas de flores frescas e leite de vaca para que os fiéis praticassem o kavadi: uma vasilha de prata contendo leite bovino para o deus Murugan.

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Paramos para ver esse tio da foto abaixo. Por favor, não entendo NADA de hinduísmo. Logo, me desculpe se não entendi o que se passava. Agradeço se algum leitor me explicar (assim farei um adendo ao post).

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As pessoas acotovelavam-se para tomar o “passe” desse homem. Alguns entravam em transe ali mesmo. Petya, Chirag, Ahmed e eu estávamos embascacados. Só algo me chamou mais a atenção:

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Damn it! Eu quero essa bexiga, bóia, whatever!!!

Continuamos até a entrada da caverna. O que eu não esperava era justamente aquele detalhe no lado esquerdo da foto:

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Degraus. Muitos! Aliás, essa é a imagem do deus Murugan. E que ele me desse forças para subir tudo aquilo.

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O fato é que você começa a sentir a energia do local ali mesmo. São 272 degraus e você não chega lá em cima exausto. Parei apenas uma vez para tomar ar e continuei ao lado de senhoras gordinhas e idosos que subiam animadamente. Quem explica isso? Não subo dois lances de escada no meu prédio sem ter um princípio de ataque cardíaco e, aqui, não senti nenhum desconforto, falta de ar ou exaustão.

Sem falar que os degraus eram estreitos, logo, tive que subir nas pontas dos pés porque meu delicado pezinho número 40 ficava metade para fora. Aliás, antes que alguma bicha pão com ovo choche o tamanho do meu pé, vale lembrar que tenho mais de 1,77m. Logo, antes de dizer que sou pezuda, vá cuidar do seu nanismo.

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Vejam a expressão de felicidade de Ahmed (esquerda, de camiseta preta). Achávamos que morreríamos, mas subimos direitinho.

Ao nosso lado, os fiéis escalavam aquela infinita escada equilibrando sua oferenda de leite de vaca em um potinho de prata. Não vi ninguém derrubando nada!

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Agradeço ao capitalismo pela barraquinha de bebidas ao final da escadaria. Mataria por uma garrafinha de água. Fizemos um pit stop ali para nos hidratar e seguimos entre os fiéis.

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Ali eles se organizavam em pequenos grupos antes de entrar na caverna. Alguns carregavam vasilhas de prata com leite, outros tinham painéis muito pesados presos aos corpos.

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O fato é que chegamos exatamente no dia que antecedia ao festival Thaipusam, que celebra o nascimento do deus Murugan – filho de Shiva e Parvati. Ou seja, o povo já estava no climão – mas sem a parte que reúne 2 milhões de pessoas (ufa!).

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Lá dentro, alguns se dirigiam a uma caverna menor para finalizar suas oferendas. Enquanto outros entravam em transe e, bem, praticavam auto-flagelação. Alguns engoliam pequenos pedaços de carvão em chamas (ai), outros atravessavam lanças e ganchos em diversas partes do corpo – tudo sem uma gota de sangue.

Com sangue ou sem sangue, o fato é que quase desmaiei. Desculpem-me, não estou julgando. Só sei que não agüento nem agulha de injeção, ou seja, isso me fez muito mal e tive que desviar o olhar. Pelo que pude entender, quanto maior o grau de dor, maior o mérito do devoto. O que achei contraditório já que muitos diziam não sentir dor enquanto perfuravam a barriga com argolas de prata.

Uma forma mais light de passar por alguma provação era carregar os tais painéis pesadíssimos sobre o corpo:

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Pelo que vi, nem a criançada escapava. Esse aí não deveria ter mais de 12 anos e, toda vez que alguns fiéis levantavam o painel para que ele mudasse de posição, podia ver as feridas que se formavam em seus ombros.

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Desculpem-me pela sinceridade. Mas quer se furar, se fura. Quer comer fogo, enfiar lança nas costas, beleza. Mas botar a criançada para carregar painel pesado, aí já perco o meu rebolado. Enfim, outra cultura, não posso julgar, então resolvi sair de perto.

Ao meu lado vejo um adolescente tomando um passe. Em seguida desmaia e entra em convulsão. Pensei que fosse epiléptico e já estava pronta para ajudá-lo a não se machucar, mas o Chirag segurou meu braço e disse que aquilo não era epilepsia.

Se não era epilepsia, não sei o que era. Porque o jovem se debatia e babava, podia ver que estava com a língua enrolada. Era uma convulsão sim e alguma coisa (ou forte coincidência) impulsionou esse ataque.

Quando ele começou a se recuperar, outro jovem caiu no chão em transe, mas sem colvulsão. Diria que estava drogadíssimo, mas não o vi ingerir ou inalar nada. Já viram trombadinhas quando estão colocados com crack? Pois era igualzinho.

Testemunhar essas cenas somadas a energia do lugar e ao cheiro de leite azedo me deixaram bem mal. Não é minha religião, desconheço tudo o que ali se passava – o que me deixou ainda mais assustada, afinal, é natural que o ser humano tema o que não conheça. Por favor, não me entendam mal. Não estou julgando. Só sei que era algo completamente inédito para mim.

Quando olhei para a búlgara e a vi mais branca do que eu, puxei-a num canto e decidimos que a coisa mais prudente, naquele instante, seria sair dali.

Continuamos caminhando até uma parte aberta da caverna onde vimos alguns macaquinhos. Ficamos por lá um tempão tirando fotos e dando risada com o que esses bichinhos aprontavam: reviravam lixo (as cavernas estavam cobertas de sacos plásticos e toda sorte de porcaria que os fiéis deixavam para trás), roubavam ítens dos turistas (então tirei meu Prada da cabeça e enfiei na bolsa, huahua), descascavam bananas e as comiam igual a uma pessoa (o que me lembrou da minha avó que fazia beicinho cada vez que dava uma mordida na fruta), fornicavam (muita desinibição) e corriam entre os turistas.

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Petya e eu então tivemos a “brilhante” idéia de nos aproximarmos de um macaquinho tãããão bonitinho para tirarmos uma foto. E quase levamos uma mordida, pois o bicho que parecia tão amigável e doce enquanto nos aproximávamos, de repente, nos mostrou um belo par de caninos. Aí que a turca e a búlgara saíram correndo.

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Quando os meninos finalmente se cansaram de filmar o povo se furando, decidimos ir embora. Era unânime que estávamos sentindo uma energia muito forte. E isso nos deu uma fome daquelas (e nem fodendo que comeríamos alguma coisa por lá, nem tô a fim de aumentar minha coleção de lombrigas).

Se subir foi fácil, descer foi um inferno. Ahmed e eu cagamos de medo de altura e tivemos que descer os 272 degraus de ladinho, segurando no murinho que dividia a escada. Huahua, o que levou uns bons 20 minutos.

Nos entupimos de frutos do mar lá no Shopping Pavillions. E as liqüidações do Charles & Keith fizeram o dia da Petya (e o meu, lógico). Depois passeamos por Bukit, comprei pencas de frutas para trazer para Dubai e, finalmente, nos entregamos a uma uma hora inteirinha de massagem por meros 30 reais. Tá?

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Eu e Petya, recarregadas em Bukit.

É fato que dormir nos ajuda a assimilar novas informações. Pois bem, ao voltar pro hotel, sentei na cama e dormi 5 horas non-stop antes de voar de volta.

Se recomendo o passeio? Com certeza! É imperdível. Se voltaria? Nem fodendo. Uma vez basta. Já fui, já vi, já fui chacoalhada com tanta novidade e, na próxima, vou me restringir às turísticas Petronas. Aliás, tá aí uma foto que tirei delas lá no lobby do hotel. 🙂

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Arquivado em Hinduísmo, Kuala Lumpur, Malásia

Malaysia Boleh! (e a tal reserva…)

Estou no meu mês de reserva. Por um lado amargo em casa sem saber se vou viajar ou se posso voltar a dormir. Nem cocô dá pra fazer direito porque, vocês conhecem a máxima: Para que o telefone toque, basta ir ao banheiro.

O lado bom é que você não sabe para onde viajará. Logo, terá uma surpresa agradável (ou não) quando o telefone tocar e te mandarem para Kuala Lumpur (ou Beirute, a parte desagradável da surpresa – porque não saímos do avião e putaquepareeeo que vôo difícil). Isso se você estiver na reserva em casa (que gosto menos porque pode durar até 12 horas e dá uma preguiiiça).

Se estiver na reserva no aeroporto, o tempo de agonia é bem menor. O lado ruim é aguardar de uniforme, cabelo e maquiagem impecáveis. Mas, sei lá, fico mais preparada psicologicamente para voar uma vez que estou lá. Embora meu coração pare cada vez em que o funcionário receba um telefonema para selecionar algum tripulante e lhe dar uma sentença, confesso que prefiro esse tipo de tortura.

Pois lá estava eu matraqueando com um libanês, um eslovaco e uma australiana quando chamaram por uma “Ana”. Mas o número da identidade não coincidia. Mesmo assim, meu coração parou de bater por alguns segundos até que eu confirmasse que eu não seria a “felizarda” em um vôo para Joanesburgo com estadia de 48 horas.

A tortura piorou quando o funcionário chamou por “Sharina” e entendi “Karina”, lógico. O castigo? Lagos, na Nigéria. Tipos, o PIOR. Só não me caguei porque não tinha “feze” pronta. Mas a australiana me tranquilizou: “Seu nome é Ana Karina, não é Sharina!”. Huahua, obrigada, Chezz!

Continuamos gargalhando, bebendo café e comendo biscoitinhos digestivos no louge quando, finalmente, ouvi “Ana Karina” seguido da minha extensa coleção de sobrenomes. Bem, era eu mesma. A pessoa com o sobrenome mais longo da empresa, (praticamente uma Dom Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo wannabe).

Aaaaah! Era euzinha! Tanto tanto que um amigo espanhol levantou-se no outro canto da sala para me dar os pêsames (tínhamos a mera esperança que voaríamos juntos para Nova York e nos jogaríamos no Guggenheim porque, quando estivemos juntos em Paris, fizemos as finas no D’Orsay e acabamos com nosso allowance no Cafe de la Paix). José é um amigo bibona de Asturias. Absolutamente louro de olhos escandalosamente verdes. Estava com saudades das nossas afetações em Alexandria, Paris e Dusseldorf. 😦

A sentença foi dita em voz alta: Kuala Lumpur! Wawaweewa! Tão boa que as culega aplaudiram! “Arrasa, racha!”, “se joga no Pavillion e em Bukit, muitas compras!”, “faça a fina das Petronas”. Saí saltitando e dando tchau de Miss Brasil para as amigas e corri para a sala de briefing.

O melhor foi reencontrar um amigo queniano-indiano no mesmo vôo, o Chirag, e, de quebra, voar com pessoas tão legais: uma búlgara que jurava que eu era Búlgara, um chefe de cabine paquistanês que me ensinou pencas de palavrões em urdu e me deu dicas maravilhosas de filmes indianos, um egípcio sem noção, um co-pitolo que era o clone do Mr. Bean versão indiana, um aprendiz de co-piloto que media 1,55m, uma australiana hiperativa e um piloto holandês que adora falar com passageiros através das caixas de som.

– É a sua primeira vez em KL? – indagou o queniano-indiano enquanto tentávamos nos recordar qual vôo havíamos feito juntos pela última vez.

– Você é Búlgara? – continuou Petya, a búlgara.

– Você fala árabe? – perguntou Ahmed, o egípcio sem-noção, em árabe.

Geralmente a tripulação esboça um mix de preguiça e mau-humor nos briefings que precedem os vôos. Mas esse grupo estava cheio de energia. Gosto muito disso, geralmente sou a única empolgada e acabam me perguntando se ingeri muito açúcar.

O vôo foi fácil. Não estava cheio, os passageiros estavam contentes e empolgados, a maioria estava em férias. As 06h20 entre Dubai e Kuala Lumpur passaram rapidamente a bordo e pousamos um pouco antes do previsto. Como não havia dormido antes da reserva, assim que cheguei ao hotel (ok, 10 minutos após ficar boquiaberta deslumbrando as Petrona Towers da janela do lounge do hotel, PQP, como são lindas quando iluminadas) tomei banho e capotei. Dormi como uma pedra até as 8 da manhã. Levantei e encontrei um bilhetinho sob minha porta.

Era um convite. Petya, a búlgara, me convidava para que me juntasse a ela, ao Chirag e Ahmed para um passeio nas cavernas de Batu. Pensei “que diabos!”. Estava com medo de me enfiar em algum programa de cacique. Porém, às vezes gosto de mandar guias turísticos às favas e me surpreender com um destino sem contar com prévias indicações…

Enfim. Fui. Posso dizer que aquele lugar arrancou meus pés do chão. Mas deixo isso para o próximo post, afinal, já está tarde aqui em Dubai e ainda preciso baixar as fotos da minha câmera.

Assunto para o próximo post. 😉

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