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Pequim para Índio Chiquinha

Estive em Pequim durante as Olimpíadas e fiquei doente paporra, como ja aqui postei. O que ainda não havia postado, ainda, foi meu programaço de cacique na famooosa Lao She Teahouse. Explico: dizem os guias de viagem que essa casa de chás é o must see de Pequim para quem gosta de ópera chinesa, acrobacias, chá, dança e tudo isso que a gente vê nesses filmes de chinês voador (Clã das Adagas Voadoras, The Curse of the Golden Tulip etc). Não preciso nem dizem que saí tinindo de alegria do hotel com meu bilhete na primeira fileira para ver tudo o que a turca gosta.

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Cheguei toda serelepe no estabelecimento e fui recebida por um homem vestido de Chou 丑 (o personagem que dá o tom cômico para a ópera chinesa). Nem preciso dizer que fugi da criatura. Tipos, odeio interação espetáculo-público.

Lembro de uma vez, no início dos anos 80, vovô (que trabalhava no gabinete do prefeito e era miguxo do Jânio) conseguiu um ingresso mega VIP para o Circo de Moscou. Na época esse circo era tipo a área VIP da The Week da criançada. Só as bunitahns. Depois de tanto sangue e suor e lágrimas, estávamos na primeira fila e um palhaço quis interagir comigo. Fiz aqueeeele escândalo, aquela choradeira que só a turca sabe fazer. Foi uma comoção, super climão e tive que ser offloaded do espetáculo. Huahuahua. Odeio palhaços, porra. E mágicos. E chimpanzés que andam de bicicleta no picadeiro. Odeio chimpanzés, period.
Voltando ao assunto…

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Desculpem-me pela foto tremida. Tenho muita preguiça de carregar o tripé da minha câmera worldwide. Mas essas neusas estavam tocando chá. Explico. Vejam a neusa da esquerda. Ela estava usando potinhos de chá para produzir sons. Nem ficou tosco, ao contrário, o som era muito bonito. Chinês sabe fazer as coisas. Ninguém diz que a sua Luis Vuitton é de Shanghai, né. Fo-da.
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No primeiro andar do estabelecimento há uma exposição de bonecos (e uma lojinha, lógico). Achei bem pândego, adorei, queria levar todos. Mas os preços eram bem proibitivos (tipo 10 mil dólares, a chinesada viajou gostoso na primeira classe da Maionese Airlines). Mas hiperventilei quando vi isso aqui:

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Não sei explicar. Acho que na vida passada fui uma neusa porque pago um pau-Brasil pra cultura desse povo (até espetinho de escorpião eu como!). E hiperventilei quando vi esse boneco. Porque sou tarada por ópera chinesa, especialmente pela imagem das Dan 旦, especialmente pelas wudan (personagens femininos que lutam bacarai). Mas never que iria desembolsar 18 mil dólares nesse boneco. Com esse dinheiro compro um carro e ainda me sobra troco pra comprar um refresco.
Então subi para o primeiro andar da casa de espetáculos…
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Uhu, primeira fileira. Mal sentei e já me trouxeram as guloseimas:

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Um potinho de chá de jasmim sem açúcar. Meio foda tomar chá de jasmim sem açúcar nenhum. Sou muito inguinoranti e gosto mesmo é de chá preto com leite e muito açúcar (pakistani me). Ou chazinho de camomila com muito açúcar. Ou chá de limão com mel. Enfim, adoro chás desde que sejam melados e nada amargos.
Aquelas frutinhas vermelhas eu não sabia o que era. Eram azedinhas de uma forma não muito, er, confortável. Espero que fossem frutinhas. Mas em se tratando de China, vá saber (e não lim de lato aglidoce ou essas esquisitices do Wangfujing Market). Os pistaches eram pistaches, uai. O doce que parece sushi era feito de feijão, os outros também. Mas com a fome que eu estava, adorei. E o doce dentro do pacotinho era alguma cereja (ou parente das berries) coberto com uma calda açúcar bem dura que desisti de quebrar pelo amor aos meus dentes.

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foto do recinto ainda vazio…
E eu que toda feliz estava porque assistiria ao espetáculo na primeira fila, muito puta fiquei quando meus companheiros de mesa chegaram. Praticamente a família triceratops. Bloqueavam minha visão lateral. Grrr. E um dos chineses nem pra esperar o lanche chegar e tascou a mão nos meus pistaches. Vá se foder esse comunismo. Sou capitalista, de direita, libanesa e arretada. Não gostei nada dessa demonstração socialista. Não nos meus pistaches. Mão chinesa no pistache dos outros é refresco.

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O espetáculo começou com a casa cheia. O primeiro número: cantoras chinesas que cantam e tocam com velas na boca. WTF? Conheci um tiozinho que tocava tambor com o pé, sanfona com as mãos e gaita lá na Praça da República. Era a cara do Alceu Valença.

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Aí chegam as chinesas de borracha e começam a se contorcer e equilibrar coisas na testa, boca, enfim, onde der. Então parei de tirar fotos porque um chinês chegou no meu cangote e disse: NO PICTULOS. Tá bom, então.

A noite seguiu com um número de mágicas daquelas bem mixurucas de buffet infantil: enrolar uma argola na outra, colocar fogo na panela, fechar, abrir novamente e jogar papel picado na galera, a carta que some atrás dos dedos e zzzzz… Então o mágico pede a participação do público (e eu quase me escondendo sob a mesa, mas nem precisei, afinal, a família triceratops me deixava invisível) e, lógico, quem sobe é o turista americano gordinho que precisa de atenção. Queria sair correndo do lugar, mas tinha me custado uma grana boa e estava esperando pela ópera.

O ballet chinês era bem bonito. Foi um dos poucos números que gostei (na verdade só gostei desse e da micro-ópera). Quem não se lembra de Zhang Yiyi em Clã das Adagas Voadoras?

http://www.youtube.com/v/enUewoV4gic&hl=en&fs=1

Chupinhei a tradução do blog da Sarah:

Uma beleza rara do norte
Ela é dama mais bela da Terra
Um olhar seu, a cidade treme
Um segundo olhar, deixa a nação em ruínas
Nunca houve em cidade ou nação
Uma beleza tão venerada
Ainda tive que aguentar um chinês que equilibrava uns cachepots enormes na testa…

Enfim, a ópera… Não durou 15 minutos e fiquei com sensação de quero-mais. Uma microinterpretação do “Bracelete de Jade” (onde a mocinha finge perder seu bracelete como pretexto para conseguir a atenção e o amor de um jovem comerciante) muito graciosa e divertida. Mas o ator que interpretava o mocinho era meio, hm, pós balzaco demais para convencer ser tão mocinho assim. Nada contra, mas ele estava tão caído que, com toda aquela maquiagem, parecia mais a Fofão (aquela drag cheia de silicone industrial que ronda a Rua Augusta e me faz cagar de medo).

Os números eram entrecortados pelo espetáculo do chá. Que era uma belasmerda duma chinesa enfiando uma flor de plástico (plástico, fucking plástico, 380 Yuen no bilhete pra ver for de plástico) num vaso, trocando água de copos com os dedinhos mindinhos levantados. Esperava algo um pouco mais elaborado, delicado, gracioso… Nem tão plastificado.

Conclusão: achei bem clichê. Mas se você gosta daqueles espetáculos de cruzeiro do Splendour of teh Seas, é bem capaz que se divirta um bocado. Sorry, mas sou muito blasé para espetáculos, circos, mágicos, Cirque du Soleil, essas coisas. A ópera chinesa que assisti em minha primeira viagem a Beijing era muito mais agradável, despretenciosa e me surpreendeu com uma cena de luta maravilhosa com acrobatas, espadas, figurinos esvoaçantes, mandarim cantado em agudos e tudo isso que a turca gosta.

Para quem quiser “se divertir a valer”:

Lao She Teahouse
3 Qianmenxi Dajie
Beijing, 11 100051 China
+84 10 6303 6830
(fica perto da Qian An Men)

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Arquivado em China, fotos, merdão, Pequim, viagem

Bichim miserável.

Tô aqui assistindo a um documentário sobre o rola-bosta no National Geographic. Tadinho. Além de ter essa alcunha ainda é meio cegueta e tem um olfato super apurado – o que não classifico como qualidade quando você nasce para, oras bolas, rolar bosta.

O bichinho – coleóptero e coprófago da família dos escarabeídeos – nasce, cresce, se reproduz e morre. E, in between, vive a fazer bolotas de cocô quase do seu tamanho, o que deve ser pesado bacarai. Tipo carreteiro escatológico.

Por ser meio Mr. Magoo volta e meia despenca ribanceira abaixo com seu rolão de totô e toooca recomeçar. Que merda, né. Literalmente.

O que me faz pensar: ir a Pequim e não assistir as Olimpíadas nem é tão ruim. Tem bicho aí no mundo rolando bosta pra viver. Pior, tem gente, na Índia, que faz trabalho de rola-bosta para sobreviver em condições miseráveis.

E aí você me pergunta: Se gosta tanto das Olimpíadas, porque está assistindo a um documentário sobre rola-bostas ao invés dos jogos na TV, ao menos?

Veja o post abaixo, pois.

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Mágoa pequinesa.

Estou em Pequim. Gripadíssima. Logo, adivinhem, nem pisei na Vila Olímpica. Ontem fui a uma casa de chás que apresenta o ritual do chá e outros espetáculos. Achei uma merda. Mas comentarei num post próximo, afinal, preciso das fotos e esqueci o cabo USB da câmera.

Duh!

Mas preciso parar de me culpar por não fazer coisas que não gosto mas faço porque é hype. Tipo… Não gosto de esportes, não páro para assistir Olimpíadas (Copa do Mundo são outros five hundreds, nesse evento eu coleciono até figurinha), até gostaria de ter visto o Estádio Nacional e o Cubo D’Água. Estou triste porque perdi um pouco da vibe. Mas, afinal, estou doente, a umidade desse verão chinês é tão violenta como o quente e seco verão emirati.

Nesse ponto pensei em dormir o dia todo para me recuperar para as próximas sete horas de vôo cheio. Não quero voltar como extra, preciso do dinheiro e da promoção.

E, porra, não é a Semana da Ópera de Pequim ou a Semana do Tubarão do Discovery Channel. Aí sim estaria realmente cortando os pulsos.

Ok, estou aqui tentando convencer a moi même que isso não é o fim do mundo. Tá foda. Pelo menos caminhei pela Qian An Men Square de noite. Acho a Praça da Paz Celestial algo incrível, me dá calafrios, especialmente ao anoitecer com todas aquelas lanternas chinesas e lampadinhas acesas.

Passou, Karina, fodeu. Já era. Na próxima, para não perder a viagem, não caia no conto de recomendações alheias para ver espetáculo de turista e vá a Ópera de Pequim de verdadinha. Mas, já disse, assunto para o próximo post.

Afinal, já fui a Roma e não vi o Papa. Minha mãe, quando na mesma cidade eterna, passou de ônibus de turista do lado do Coliseu, olhou para o outro lado e não viu (huahuahua, é super verdade). Fui a Jacarta e não saí do hotel. Em Nova York, não saia das lojas com a minha mãe. Fui a Pequim nas Olimpíadas e não vi picas. 🙂 Oras!

Mas fui a bosta do Lao She Teahouse e já já eu conto do programão de cacique que todo mundo faz em Pequim.

P.S.: Não é hipocrisia. As Olimpíadas estão bombando na TV e eu, aqui, vendo National Geographic channel. Logo, preciso parar com essa auto-chochação.

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