Arquivo da categoria: Peshawar

Caixinha de Iftar da Pakistan International Airlines, um terremoto pela manhã e um presidente leleco que vai aprontar todas!

Dedico esse post ao Clayton, meu novo miguxo que tem um dos melhores blogs de comida do mundo.

Acabei de voltar do Paquistão após uma viagem turbulenta. Não só pelos pobrema familiares (vixi), mas porque acordei com a cama chacoalhando levemente. Pensei “arre, Poltergeist”. Mas não, era terremoto, mesmo. Constatei pelo movimento da água na garrafinha. Não gostei. Neeext.

E na cidade (Peshawar), o maior climão durante as eleições. Várias barreiras militares para evitar atentado. Mas em Kohat (área tribal pertim de Peshawar) deu merda. Pra variar. Todo dia tem, por ali. Não gosto. Neeext.

E o viúvo da Bhutto, o Asif Ali Zardari, foi eleito. Pessoa do suuuper do bem, foi preso por corrupção, amargou alguns anos na cadeia e saiu bilu-bilu da cabeça. Doidinho mesmo. Vamos fazer um bolão pra ver quanto dura (valendo um quibe): digo três meses. Os talibans estão arretados. Vai dar merda. Neeext.

Então que embarquei no vôo PK 283 Peshawar-Dubai. Lá pelas 1h30 de vôo, nada de comida. Tipo, ok, a companhia aérea é islâmica e talz. Mas, poxa, não são apenas muçulmanos que voam nela. Eu queria meu lanchinho.

Pedi delicadamente para a comissária (muito respeito cas colega da catiguria). E o povão todo me olhando de cara feia. Fuck, don’t give me evils. Quer jejuar, jejua. Não quer, não jejua. Afinal, no Islam existe uma exceção para o jejum para aqueles que viajam. Então, meu amor, meu cu com chicken tikka.

Essa é a caixinha do Iftar. Rebobinando a fita: o Iftar é a quebra do jejum durante o Ramadan. Os comissários entregam no final do vôo. Mas como me guio pela exceção (e ainda mando flor pra Yemanjá), quis o meu durante o vôo.

Afinal, o entretenimento de bordo da PIA é uma merda (pelo menos nesse trecho, voado num Airbus 310-300) e, hoje, só tinha coral de criança cantando música islâmica. Eu, hein!

A maioria das revistas estavam em urdu. Tipos, nem falo idioma de terceiro mundo (só os meus, hah) e só me sobrou uma Economist.

O que fazer, então??? Comer, né!

Esse é o interior da caixinha. O saunduíche eu já tinha comido (um croissant gelado com spread de frango, horrível). Uma banana (ah, pensou que fosse uma melancia), uma caixinha com três tâmaras (no caso, uma tâmara e dois caroços pois, quando bati a foto, já tinha comido duas, eu dóro tâmara), uma xícara descartável para o chai, ketchup, leite em pó e… O que seria essa coisinha azul?

Ovo de páscoa? Guarda-chuvinha de chocolate da PAN? Bolinho?

Nãããão. Veja bem: tem a forma de uma coxa de frango.

Porque é uma coxa de frango! Kkkkkk. Arrasou. Vai fazer sucesso na rota Karachi-Praia Grande.

O melhor foi sair do avião e ver a galera se lambuzando na área das bagagens. Não resisti e saí cantando “mina, teus cabelo é da hora…”. Pelados em Santos, bee.

Ok. Sou muito trash – and I like it, I like it, yes I know.

Anúncios

13 Comentários

Arquivado em Cia. Aérea, comer, Islam, Paquistão, Peshawar, pobrema

Uhuuu: إفطار (Iftar)

Ramadan. Estou em Peshawar, no Paquistão. O sol se pôs. Finalmente. Chegou a hora do Iftar – quebra do jejum. Estamos esperando dar uma horinha porque está o maior vuco-vuco na rua. Vocês sabem como é pobre o povo: todo mundo corre pro mercado e se estapeia para pegar frango, manteiga, leite, pão. Parece guerra.

Ainda bem que não jejuamos – porque o marido é um muçulmano que acredita em E.T.s e eu sou o sincretismo em pessoa, ou seja, quando a obrigação religiosa chega eu viro a casaca e mando flor pra Yemanjá.

Mas estou com vontade de fazer bolo de gordo (o famoooso bolo de caneca que você faz em 3 minutos no microondas, que chamo carinhosamente de bolo de gordo porque só gordo pra criar algo assim tão gostoso que você prepara num upa quando bate aquela gula no meio da noite) e não temos FARINHA! Aaaargh!

Sem falar que a farinha tá cara bacarai por aqui. Vocês sabem que o Paquistão é uma das capitais mundiais do rebuliço. E outro dia o povo fez filas de hooooras em Rawalpindi pra comprar farinha por 55 rúpias – o preço atual passa das 200 rúpias por pacotinho.

E esperamos todo esse tempo porque os supermercados e restaurantes estão fechados. E, acho, que se um Taliban me pega na rua tomando sorvete, usa meu escalpo pra fazer espanador. Sim, Peshawar está cheia de Talibans de verdadinha (leiam as notícias, tá um rebosteio só por aqui).

No mais, vou me esbaldar nas peras que cresceram aqui no quintal. Peras, romãs, mangas. Tudo fresco e sem grotóchis agrotóxicos – ou seja, pequenas e cheias de bicho bem saborosas.

Super prafrentex, Tony Goes.

8 Comentários

Arquivado em cotidiano, Paquistão, Peshawar

bom dia, Peshawar… em 90 cm

Cheguei em Peshawar após 10 horas de vôo Nagoya – Dubai (onde tripulei), 2 horas para me arrumar e preparar a mala. Aí que o marido tem um chilique histérico escalafobético porque pedi para que ele me buscasse de carro no aeroporto de Islamabad (que fica, na verdade, em Rawalpindi). Aí descubro que o bonito não tem habilitação, huahuahua. Seria bem mais fácil dizer a verdade do que amar na mentira, mas não, ele preferiu criar climão dizendo que quando combinamos algo, não podemos mudar depois.

Depois de 3 horas de vôo Dubai – Islamabad (como passageira, pelo menos vim de executiva porque soy rica), uma correria em Rawalpindi para comprar um chip de celular ao lado do concunhado (e no final não deu certo, continuo sem celular no Paquistão, usando apenas a linha de Dubai), que insistia para que eu aceitasse um refresco.

Tipos… A Pakistan International Airlines, especialmente na business, é um tal de entrocha comida e bebida nos passageiros que pousei rolando. E never que tomaria mais um líquido ali. Pra que?

– Karina, toma essa limonada.
– Obrigada. Mas não posso aceitar. Não quero ter que fazer xixi na estrada.

– Faça aqui na rodoviária – disse o sabichão.

Eu fiz. Era indian toilet. Zente. Eu enrolei a dupatta no pescoço, tirei as calças (como não tinha onde pendurar, também enrolei no pescoço, me equilibrei nas cócoras e fiz xixi. A sorte é que sempre carrego lencinhos comigo e não passei o aperto de ter que me lavar com o baldinho (iiiirj, ca nooojo).

Voltei.

– A aí, Karina? Deixa-me adivinhar… Era o banheiro mais limpo do mundo né? – divertiu-se o gordzeenho.
– Ó. Tó que não tomo mais nenhum líquido porque não quero passar pelo mesmo aperto em Nowshera.

Começamos a rir. Porque, porra, a única parada do ônibus seria em Nowshera. Now-fucking-shera. Veja a foto e entenda a minha alegria plena se lá mijar eu tivesse que.

Então mais 2 horas e meia de bumba de Rawalpindi pra Peshawar e mais meia hora de viagem da rodoviária pra casa do marido (pelo menos ele me buscou na rodoviária). Tudo porque os vôos estavam lotados entre Dubai e Pesh.

Nem preciso falar que cheguei desmontada. Pior. Deitei na cama do marido e capotei de roupa e tudo, babei, falei dormindo (às vezes eu tenho dessas e a galera de diverte conversando comigo), enfim, acordei agora de manhã, só. Um calor da piaba. Chove no país inteiro, menos aqui.

Toda vez ouço um trovão, percebo que o barulho é longo demais para ser trovão. Explico: são caças. Porque o exército tá mandando ver nas áreas tribais.

Foda. Mas sabe o que é mais foda???

Abrir a caixa de e-mails e encontrar isso:

Porque sim, a vida é feita de pequenas alegrias. Micaguei.

6 Comentários

Arquivado em Paquistão, Peshawar, Peshawar, viagem