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Carrefour em Pequim

Não consigo pensar em experiência mais particular e nauseabunda do que uma visita a esse supermercado aqui do lado do meu hotel. Nada contra a marca Carrefour, vejam bem: sou fã aqui em Dubai, onde quase sempre compro produtos da marca da casa porque o achocolatado é muito gostoso e a padaria deles é a melhor da cidade. O que pega é que a experiência em um supermercado popular chinês não é uma das mais agradáveis do mundo.

Começo pela entrada, onde o banheiro público exala seu odor ao lado do estacionamento de bicicletas – justamente ao lado da entrada do meu hotel. Um pouco mais a frente uma mãe segura seu bebê com a parte de baixo de seu corpinho desnuda. E a criança se alivia sobre a lata de lixo. E não tô falando só de número um.

rápido, barato e mal-feito

Sigo direto para o piso superior. Preciso comprar uma calculadora com números grandes para administrar meu rico dinheirinho. Encontro uma por RMB 19 (menos de cinco reais) e de brinde ganho uma caneta e um marca-texto. Quando cheguei no hotel, lógico: a calculadora não funciona porque está sem uma das duas baterias. Penso “ok, estou na China, o que mais poderia dar errado?”.

Sigo passeando pelas seções de eletrodomésticos, utilidades de cozinha, roupas, calcinhas e chego a seção de plantas e animais. É de chorar: peixes beta em minúsculos aquários, tartaruguinhas de água em copinhos minúsculos de plástico com pedrinhas e um pouco de água. E uma espécie de anfíbio horroroso num pequeno potinho. Tudo isso amontoado na bagunça do meio da manhã que reina naquele supermercado superpopuloso. Dá vontade de chorar e me questiono como a marca Carrefour permite esse crime contra animais em um de seus estabelecimentos.

come-se tudo o que tem perna e não é mesa, come-se tudo o que voa e não é avião

Desço revoltada para o piso térreo para comprar minhas verduras e arredar o pé dali. A única coisa que gostei foi que as alfaces e as outras verduras asiáticas que tanto gosto já vêm embaladinhas em porções pequenas. Ok, é desperdício de plástico yadda yadda yadda. Mas nas condições reais de higiene do local acho que agradeço por não ter que escolher um pezinho de alface onde espero que aquela mãe que segurava a criancinha cagona não estivesse espalhado seus coliformes. Agora, se o Chen que embalou meus bok choi deu aquela coçada no toba enquanto empacotava tudinho, bem… Ignorância, ás vezes, é uma virtude. Vou enfiar tudo no hidrosteril por meia hora antes de comer, mesmo.

Tento me aproximar do açougue. Mas o bouquet de odores de órgãos defumados, peixe e sebo me afastam. Mesmo assim consigo visualizar coisas tão agradáveis como tripas de pato, pés de galinha, carcaças defumadas de alguma ave que desconheço, bichos da seda e por aí vai. Vegetarianismo, pra mim, nunca fez tanto sentido.

pezinho de galinha defumado, hmmmm :/

Quase tão horroroso como tudo isso é ver a seção de bolinhos de peixe congelados e kani-kama… aberta! Em um enorme congelador eles estão expostos sem nenhuma proteção para que você os colete com uma grande colher de arroz e enfie-os em um saquinho plástico. Ou seja, se você estiver escolhendo seus bolinhos e kanis e outros produtos congelados e espirrar adivinha só que maravilha!

Estou escolhendo alguns iogurtes quando um senhor indiano faz contato visual comigo e pergunta alegre se sei em que parte da grande geladeira de laticínios ele poderia encontrar manteiga e margarina.

A Índia é quase tão distante do Brasil como a China. Mesmo assim percebo o olhar de cumplicidade desse senhor: somos dois seres estranhos nesse supermercado. É como se tivéssemos aterrissado nossas aeronaves em Plutão. Sinto um momentinho meio “Lost in Translation” de Sofia Coppola. Seguimos com nossas compras em pontos diferentes do supermercado, mas toda vez que cruzamos nossos carrinhos abrimos um sorriso que poderia ser traduzido como “puta que o pareeeo, que bom saber que não estou sozinho nessa indiada!”.

Aliás, vejam que lindas as embalagens de iogurte da marca Yili feitas pela Ogilvy:

Lógico que comprei para experimentar! 🙂 (clica para ampliar e veja só que fofoluchos)

beleza, neusa

Na parte de produtos de beleza uma chinesa tenta me convencer a comprar um creme que desconheço e não tenho idéia para o que sirva. Porque ela está me explicando em chinês. Demonstro não entender, digo em um mandarim tosco que não falo necas desse idioma mas ela segue. Começo a responder em português mas ela insiste. É um diálogo maluco, uma situação tão irreal que passo a apreciar. Começo a cantar em italiano e ela ri. Finalmente coloca o produto no meu carrinho. Desisto desse papo de Patropi. Saio dali com o produto ainda não sabendo se é um creme de pentear, um shampoo nutritivo ou um amaciante de pelos púbicos. Caminho por alguns corredores e abandono a embalagem verde com alguns pepinos desenhados no meio de alguns pacotes de bala decorados para o ano novo chinês.

E o que mais me frustra na Ásia são os produtos da Shiseido com preço de Monange… E legendas em outros alfabetos. Não sei para que diabos serve esse shampoo lindinho e não vou enfiar isso na minha cabeça. Ainda mais sabendo que muita neusa gosta de encrespar o cabelo. Vade retro cabelo crespo!

Bem, vocês já sabem que muitas vezes escolho produtos pela embalagem. E as camisinhas asiáticas tem embalagens lindas. Já sei o que vocês vão me perguntar. E sim, já comprei para ver como são. E sim, são menores. Tive que joga-las fora (ei, não estou querendo me gabar… Ok). Ou seja, colega: se o macho tem um trozobão, não compra camisinha na China. Talvez no Quênia.

fila

Uma coisa que admiro muito aqui na Ásia é o respeito que os mais jovens tem pelos mais velhos. Seguindo essa etiqueta cedi meu lugar na fila a uma senhorinha. Logo em seguida apareceu um outro senhorzinho. E assim formou-se uma fila da terceira idade na minha frente. Quando um terminava de pagar a conta outro velhinho brotava no chão. E assim fiquei 40 minutos na fila do Carrefour. >.<‘

E assim que paguei pelas minhas compras saí satisfeita. A Ásia, pra mim, é como o yakissoba que o ching-ling vende na Avenida Paulista, na frente da Gazeta (e me alimentou por quatro anos de Cásper): é xexelento. Mas eu ADORO!

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Pif-paf!

Adoro supermercados. Period! Nao resisto: toda vez que viajo para um local diferente acabo me jogando em mercadinhos, grocery stores (vendinhas), super e hiper mercados. Adoro descobrir guloseimas estrangeiras, frutas exoticas, produtos de higiene pessoal, esquisitices alimentares etc.

Cheguei ao ponto absurdo de fazer cotacao de produtos de limpeza em diferentes lugares do mundo. Por exemplo, na ultima vez em que estive no Paquistao, trouxe dois potes de Vanish em po na mala porque, segundo o IPDL (Instituto de Pao-Durice Libanesa), o produto removedor de manchas custa, em Peshawar, 1/3 do preco do mesmo produto em Dubai e 1/4 e Sampa.

Em visita relampago a Sao Paulo, nao resisti a visita ao supermercado popular Futurama, da Vila Buarque. Comprei requeijao de pobre (adoro!), Catuaba Selvagem para um colega daqui e pipoca doce do saco rosa, uma iguaria das classes C, D e E – adoro, adoro, adoro!

Porque, daaahn, de Pao de Acucar e Wal Mart eu ja estava careca.

Entao mi-ca-guei de rir com os produtos da secao de inseticidas (supermercados da classe A e B sao chatos, so o Baygon e que bate):

Voce usa e da um straik na barata.

Sincero.

Ma fu

E depois de matar todas, ufa!

P.S.: O inseticida mais popular aqui nos supermercados de Dubai e o Pif-Paf. Nome igualmente sensacional, o que prova que a criatividade, em se tratando de exterminio de pragas, e algo universal.

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